Delegado Bernardo Leal sai do hospitalDivulgação

O delegado Bernardo Leal Annes Dias, que perdeu a perna direita após ser baleado durante a Operação Contenção, nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro de 2025, disputa uma vaga de deputado estadual nas eleições deste ano. Filiado ao Progressistas (PP), ele concorre à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) com o nome de urna “Delegado Bernardo Leal”.

Lotado na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) à época da operação, Bernardo foi atingido na perna por um disparo durante a ação policial. O projétil atingiu a região da veia femoral e provocou uma hemorragia grave. O delegado permaneceu sete dias em coma, passou por nove cirurgias e ficou cerca de 50 dias internado antes de iniciar a recuperação.

“Eu entreguei parte do meu corpo para defender o Rio de Janeiro na rua. Mas a minha mente, o meu coração e a minha voz continuam intactos e prontos para lutar pelo nosso povo onde o crime realmente precisa ser sufocado: nas leis e no parlamento”, afirmou Bernardo.

Segundo informações divulgadas pela campanha, o candidato pretende apresentar na Alerj propostas voltadas à segurança pública, ao atendimento de policiais feridos em serviço e ao suporte às famílias desses agentes.

Relembre o caso

Bernardo foi baleado em 28 de outubro de 2025, durante a Operação Contenção, deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio. A ação mobilizou mais de 2,5 mil agentes das forças de segurança e tinha como objetivo cumprir mandados e combater integrantes do Comando Vermelho nas comunidades.

Durante os confrontos, o delegado acabou atingido por um disparo de fuzil na perna. O projétil provocou uma grave lesão na região da artéria femoral e uma intensa hemorragia. Bernardo recebeu os primeiros atendimentos no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, e depois acabou transferido para o Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca.

O estado de saúde do policial era considerado grave. Ao longo da internação, ele passou por nove procedimentos cirúrgicos e permaneceu sete dias em coma. A gravidade dos ferimentos levou à amputação da perna direita. Ao todo, o delegado permaneceu aproximadamente 50 dias hospitalizado.

Além de Bernardo, outros policiais ficaram feridos durante a operação. Nove agentes da Polícia Militar precisaram de atendimento médico. Quatro receberam alta posteriormente, enquanto outros cinco permaneceram em recuperação no Hospital Central da Polícia Militar.

A operação também terminou com um dos maiores números de mortos já registrados em uma ação policial no estado. Inicialmente, 121 mortes foram contabilizadas. Entre as vítimas estavam quatro policiais — dois militares e dois civis — e 117 pessoas apontadas pelas autoridades como suspeitas de envolvimento com o tráfico.

No dia seguinte à operação, 63 corpos foram encontrados em uma área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, região onde ocorreram parte dos confrontos. Moradores levaram os cadáveres até a Praça São Lucas, no Complexo da Penha.

Dos mortos apontados como suspeitos, dezenas foram identificados no Instituto Médico-Legal (IML) do Centro. A lista incluía pessoas de outros estados, como Espírito Santo, Goiás, Bahia, Amazonas e Pará.

O balanço oficial posteriormente chegou a 122 mortos, mantendo a operação entre as ações de segurança pública com maior número de vítimas fatais já registradas no país.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Luiz Maurício Monteiro