Por rafael.arantes
Porto Alegre - Disposto a ganhar moral para a Copa das Confederações, a Seleção fez uma aposta arriscada. Convidou a França, historicamente um grande algoz brasileiro, para o amistoso deste domingo, às 16h, na Arena Grêmio. De quebra, Felipão e companhia ainda terão que lutar contra o retrospecto recente. Há quase 21 anos, o Brasil não vence os franceses. O jogo pode decidir se é hora de quebrar tabus e se encher de confiança ou, em caso de novo tropeço, entrar na competição sem autoestima e com baixo apoio popular. É a última prova de fogo para a Família Scolari, que ainda está em formação.
Seleção vai enfrentar a França neste domingoAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Já são seis partidas sem bater a França, com quatro derrotas e dois empates. Apesar disso, o tetracampeão Bebeto, que estava em campo na final do Mundial da França, em 1998, e na última vitória sobre os franceses (2 a 0, em Paris, em 1992), não vê dificuldade nos confrontos entre as escolas de futebol brasileira e francesa.

“Não concordo com isso (dificuldades). Não acho que temos dificuldades com o futebol francês. Em 98, o Ronaldo passou mal, coitado. Claro que o jogo teria sido outro se fosse em outra ocasião. Mas Ronaldo passou mal e ficamos preocupados com a saúde dele e abalados. Foi algo atípico. Se Ronaldo estivesse bem, o jogo teria sido muito difícil para a França. Cada jogo é uma história diferente. Quantas vezes fomos campeões mundiais? Cinco. Tabus são feitos para serem quebrados”, exemplificou Bebeto, esquecendo de infortúnios contra o tradicional adversário.
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Além de encarar a equipe do atacante Benzema, a Seleção tem mais um jejum pela frente. Desde novembro de 2009, o Brasil não vence as maiores equipes do mundo. Nada que abale a confiança, de Bebeto, que é membro do Comitê Organizador Local da Copa de 2014.
"Temos tudo para conseguir o hexacampeonato. Temos jogadores de qualidade. Eu sempre penso positivo. Quero ver o Brasil chegando na final no nosso país. Eu torço para sermos campeões. Eu sempre acredito no Brasil", disse.

O técnico Felipão confirmou que o lateral-esquerdo Marcelo será o titular no lugar de Filipe Luis. Provavelmente, essa será a equipe para a estreia da Copa das Confederações, dia 15, contra o Japão, em Brasília.

Marcelo será titular neste domingoDivulgação

Três derrotas dolorosas

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Em competições oficiais, a França é uma verdadeira pedra no sapato do Brasil. Com exceção do primeiro confronto, 5 a 2 no Mundial de 58, a Seleção só têm motivos para lamentar. Nenhum outro rival foi responsável por tantas vezes dar fim ao sonho de uma Copa do Mundo.
Depois de levar a melhor em 58, a Seleção teve duas eliminações dolorosas. Em 86 a mais traumática: Zico perdeu uma penalidade e o jogo terminou 1 a 1. Sócrates e Julio César desperdiçaram suas cobranças na disputa por pênaltis e o Brasil caiu nas quartas de final. Na mesma fase, em 2006, o quarteto mágico (Ronaldo, Adriano, Ronaldinho e Kaká) sucumbiu: 1 a 0.
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Os dois rivais também se encontram na final de 98, na França. Os 3 a 0, com show de Zidane, são uma das maiores derrotas brasileiras em Copas. Para completar, a França também acabou com o sonho do ouro olímpico. Nas Olimpíadas de Los Angeles, em 84, ganhou por 2 a 0 e o Brasil foi prata.