Por pedro.logato

Bélgica - Os belgas ganharam um ótimo reforço de última hora para a Copa. O jovem Adnan Januzaj, de 19 anos, do Manchester United, anunciou na quarta-feira que defenderá os Diabos Vermelhos por coincidência, o apelido da Bélgica é o mesmo do clube inglês. O curioso é que, até então, Januzaj poderia servir a seis países diferentes, e cada nação manifestou interesse em contar com o apoiador.

Nascido em Bruxelas em 1995, Januzaj é filho de refugiados de origem do Kosovo e Albânia, que deixaram a Iugoslávia (atual Sérvia) durante a guerra de independência kosovar. A região só é reconhecida hoje por 107 membros da ONU, e a Fifa dá status parcial à seleção nacional, que pode fazer amistosos internacionais contra países filiados, mas não participar de competições oficiais.

Adnan Januzaj vai atuar pela BélgicaReuters

Então, Januzaj estaria apto a jogar por Albânia, Kosovo, Sérvia (pelo lado da família da mãe), Bélgica (onde nasceu), Turquia (país de origem de seus avós), e a partir de 2018 pela Inglaterra, por causa dos anos de residência — a legislação inglesa exige cinco anos como profissional no país. O jogador, de fato, é uma Torre de Babel humana.

Habilidoso, Januzaj estreou ano passado no Manchester United e nunca defendeu nenhum país até hoje, nem mesmo nas categorias de base, porque esperava decidir com os familiares a qual país serviria como atleta. E recusou, antes, algumas convocações da Bélgica.

O Mundial que não foi

Nunca uma sede teve tanto tempo de se preparar para uma Copa como a Colômbia, que foi escolhida pela Fifa em 1974 para receber a competição em 1986. O período de 12 anos, porém, não foi suficiente.

Afundado em uma grave econômica, o país dava sinais de atraso faltando cinco, seis anos para a bola rolar. A Fifa havia exigido a construção de seis estádios com capacidade para 40 mil pessoas. Isso sem falar que os locais dos jogos a partir das oitavas teriam de abrigar 60 mil, e o da final, 80 mil. Naquela altura, o país só podia contar com o Estádio Pascual Guerrero, em Cali, que havia sido sede do Pan de 1971. E só. Outros dois estavam na reta final. Foi aí que a Colômbia resolveu se rebelar contra a Fifa.

Em agosto de 1982, Belisario Betancur, presidente recém-eleito do país, disse não à Fifa, reafirmando a obrigação de a entidade servir à Colômbia, e não ao contrário. Tremenda saia-justa!

Em dezembro do mesmo ano,a Fifa, às pressas, reabriu as inscrições. O Brasil foi o primeiro a se apresentar, mas também desistiu. Depois de uma disputa com Canadá e EUA, o México levou a melhor e conseguiu organizar a Copa, apesar de um terremoto de 8,3 graus na escala Richter ter arrasado o país a menos de oito meses do início.

Coluna de Alysson Cardinali e Flávio Almeida

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