Contra-ataque: Flamengo à beira de uma faxina

Em momento complicado, Rubro-Negro passa por turbulências dentro e fora de campo

Por pedro.logato

Rio - A situação na Gávea não está tranquila. No meio da cartolagem, há divisões em relação aos investimentos e já há quem considere inadiáveis novas contratações. O elenco não se dividiu, mas os jogadores não estão focados como na época de Jayme de Almeida, em que superaram limitações com dedicação extraordinária. Felipe comete erros infantis e a sua distração também chega ao ponto de faltar a treinos por confusão nos horários.

Ney Franco está tendo muito trabalho no FlamengoCarlos Moraes / Agência O Dia

O fato de dois jogadores (Samir e André Santos) terem permanecido em Macaé, serem flagrados bebendo cerveja e se apresentarem para treinar no dia seguinte voltando de helicóptero são pequenos incidentes que, isoladamente, poderiam não significar muito, mas que, juntos, em um momento delicado do futebol, não são absorvidos por ninguém no clube. Torcedores já ameaçam criar grupos para fiscalizar o elenco e a previsão é que, no intervalo para a Copa, ocorra remodelação e muita gente seja despachada para a famosa barca. Se for possível trazer craques, tudo bem. Caso contrário, não fará tanta diferença.

FICOU DIFÍCIL

Normalmente, jogar com o Santos, no Morumbi, até com o apoio de uma boa galera, não deveria significar um desafio tão forte para o Flamengo. Até porque o adversário anda em fase de transição, com Oswaldo de Oliveira contestado e muito longe daquele Santos vencedor de pouco tempo atrás. Mas vivendo também em crise, quase na zona de rebaixamento e com vários desfalques, a partida ficou complicada, até porque, sem Alecsandro e Hernane, haverá improvisações no ataque.

OBRIGAÇÃO

O Botafogo de Vagner Mancini, eventualmente, pode até não estar jogando tão mal, mas não vence. Em um ano até aqui horroroso, viveu de alegrias esparsas, como a vitória sobre o Flu no Estadual, os 2 a 0 sobre o San Lorenzo e duas goleadas, sobre Deportivo Quito e Criciúma. De resto, uma sucessão de fracassos e vexames. O Vitória vem de derrota, está meio conturbado e o Botafogo tem a obrigação de ganhar para se manter com um mínimo de dignidade no campeonato.

DUPLA PROJEÇÃO

Muito se tem falado sobre a parada da Copa do Mundo e sua influência no Campeonato Brasileiro. Há um certo consenso de que será outra competição depois, com times modificados pelas prováveis saídas para o exterior e eventuais reforços. Outro fator óbvio, mas pouco considerado, é que essas nove rodadas vão ter um peso considerável no resultado final. Quem estiver por baixo dificilmente disputará as primeiras colocações e a recíproca é verdadeira. A fatura virá depois.

O SUSTO

Ainda bem que o caso médico de Everton Costa está sob controle e ele vai precisar apenas implantar desfibrilador para evitar novo problema cardíaco. Apesar da limitação, poderá, se quiser, continuar a sua carreira, mas não há dúvida de que seria melhor uma atividade mais tranquila. De qualquer forma, o seu caso poderia ter tido um final triste se não houvesse atendimento rápido. O de Ricardo Gomes é outro exemplo. Sem ambulância equipada, não pode haver jogo.

SÓ O FLUMINENSE NÃO TEM NUVENS NO CAMINHO

Com elenco forte, a situação política aparentemente pacificada e Cristóvão Borges acertando em cheio, o Fluminense faz belo início de campeonato. Bem diferente do Flamengo, que vive terremoto interno, do Botafogo, politicamente dividido e sem perspectivas financeiras, e do Vasco, que pena na Série B, vive período eleitoral de baixo nível e pode perder Adilson Batista para o mundo árabe.

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