Com Messi como capitão, jogadores da Argentina celebram o título da Copa América de 2019, no MaracanãAFP
Do jejum à glória, Argentina renasce com Scaloni e título no Maracanã
Vitória sobre o Brasil durante a pandemia deu a confiança que faltava à revolução do técnico
A Argentina que disputa a final da Copa do Mundo, neste domingo (19), ficou 28 anos sem conquistar um título. Nem mesmo Messi parecia dar jeito numa sequência de gerações decepcionantes, apesar do talento. Até que a chave virou em 2021, com o título da Copa América sobre o Brasil, em pleno Maracanã, num processo que começou em 2018, com a improvisação de Lionel Scaloni como técnico.
A grande revolução de Scaloni
Inicialmente era para ele ser interino, mas contou com a desorganização da federação argentina em achar alguém para substituir o caótico trabalho Jorge Sampaoli. Com uma ideia clara de reformulação de nomes e maneira de jogar, o antes auxiliar da seleção apresentou resultados e foi efetivado.
O processo de Scaloni foi aposentar alguns medalhões do time e confiar em uma nova geração promissora. De Paul, Lautaro Martínez, Paredes e outros tiveram Messi e Di María como pilares.
Além disso, o técnico fez uma mudança tática decisiva, trocando a força física e o jogo em saídas rápidas de contra-ataque por mais controle da bola baseado num meio de campo forte nos passes e em função do craque e camisa 10.
Título sobre o Brasil tira peso e muda ambiente
O processo levou tempo e recebeu um baque inicial com a derrota por 2 a 0 para o Brasil, na semifinal da Copa América de 2019. Mas desde aquele jogo, a Argentina emendou uma sequência de 36 jogos de invencibilidade e conseguiu o que faltava para as mudanças de Scaloni chegarem ao nível necessário: um título.
A tão esperada conquista veio no torneio continental, em 2021, desta vez vencendo o Brasil por 1 a 0 em pleno Maracanã, com gol de Di María. O resultado histórico não tinha torcida para comemorar no estádio por causa das restrições da covid-19, mas o grito e o choro de liberdade dos jogadores foi a senha para uma nova Argentina que renascia.
Até então, a seleção carregava um peso enorme de 28 anos sem títulos, muitas decepções e sentia a pressão em jogos decisivos. A partir de então, o clima ficou mais leve, a confiança retomou e a postura passou a ser outra.
Um exemplo são os jogos contra o Brasil. De freguês, com quatro derrotas em sequência, emendou cinco jogos sem perder para o maior rival, com quatro vitórias. A primeiro ainda foi em 2019, em amistoso.
Depois do triungo na Copa América, voltou a vencer no Maracanã por 1 a 0, na primeira derrota da seleção brasileira em casa nas Eliminatórias, e goleou por 4 a 1 em Buenos Aires.
Sequência de títulos da Argentina
O grande momento de Messi & Cia viria na Copa do Mundo de 2022, mas não sem muito drama. A começar pelo fim da invencibilidade histórica, justamente na estreia e para a Arábia Saudita. O susto provocou mudanças no time feitas por Scaloni, que se baseou nos adversários para mudar os esquemas ao longo do torneio.
O time conhecido como 'Scaloneta', a cada fase de mata-mata, mostrou que tinha se tornado vencedor. Mais do que isso:não sofre mais com a pressão ou se entrega e também encontra forças para se superar mesmo nas dificuldades, como também acontece em 2026.
O título há quatro anos veio numa campanha com duas disputas nos pênaltis: nas quartas, contra a Holanda, e na vitória da final, em cima da França, após um 3 a 3. A decisão contra os franceses mostrou uma Argentina diferente. Afinal, abriu 2 a 0 e sofreu o empate de 2 a 2 no fim do tempo regulamentar. Na prorrogação, mais uma vez viu o título escorrer nos minutos finais, mas recuperou-se mentalmente para ganhar nos pênaltis com o destaque de Dibu Martínez.
Além do fim do jejum de 36 anos sem conquistar a Copa do Mundo, a Argentina de Scaloni ainda levantou outros dois troféus: a Finalíssima de 2022, em cima da Itália, e a Copa América de 2024, vencendo a Colômbia.
Números impressionantes até a final da Copa de 2026
Agora, a seleção Albiceleste busca mais um feito, que é conquistar dois títulos mundiais seguidos, algo que só o Brasil (1958 e 1962) e a Itália (1934 e 1938) conseguiram. Se chegarem ao bicampeonato, Messi e seus companheiros irão coroar um trabalho impressionante.
Afinal, desde que assumiu o comando, Lionel Scaloni tem 79,6% de aproveitamento. São 76 vitórias em 103 partidas, com apenas nove derrotas, todas para equipes sul-americanas (Brasil, Uruguai, Colômbia, Paraguai e Equador na altitude).
A invencibilidade atual é de 14 jogos, com a ressalva que a Argentina pegou muitas seleções de pouca expressão durante a preparação para a Copa (como Angola, Mauritânia e Zâmbia). As mais fortes foram nessa sequência foram Inglaterra e Suíça.



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