Sem astros, Flamengo busca o tri da Copa do Brasil

Trabalho de Jayme e dedicação do elenco podem ser coroados com o título e a vaga na Libertadores

Por pedro.logato

Rio - Um time sem astros, cujo caminho se iluminou à luz de um técnico que até pouco tempo era ofuscado pelo brilho alheio. Jayme de Almeida e seus comandados dividem igualmente a responsabilidade de buscar o terceiro título da Copa do Brasil da história do Flamengo e a vaga na Libertadores de 2014, hoje, às 21h50, contra o Atlético-PR, no Maracanã. De Felipe a Paulinho, são 11 candidatos a herói em campo, cada um com uma história de superação diferente. Estrela mesmo, só a torcida, que pode soltar o grito de campeão com um 0 a 0 — o jogo de ida foi 1 a 1.

Jayme de Almeida pode ser campeão pelo FlamengoAndré Mourão / Agência O Dia

Felipe contrariou as previsões e voltou no primeiro jogo da final, 20 dias depois de passar por uma cirurgia no joelho esquerdo. Já Léo Moura, que começou o ano em tom de despedida, negocia a renovação de contrato e vislumbra seu sétimo título pelo Flamengo, o primeiro como capitão. Rascunhos do último capítulo de uma história que pode ter hoje um final feliz.

“Todo mundo teve humildade para admitir que aqui não é um grupo. Aqui não temos uma estrela. O grupo é a estrela. O Jayme, desde que assumiu, disse que quem ganha ou perde é o grupo, mesmo que um ou outro se destaque. Assim formamos uma família”, disse Léo Moura, que está confiante.

“O título no Maracanã vai representar muito para cada um. Para o Jayme, para os que saíram, como o Ramon... Acredito que seremos abençoados nesta noite.”

Wallace teve altos e baixos e frequentou o banco antes de se firmar; Samir entra hoje na fogueira após ficar quase dois meses machucado; André Santos também foi questionado depois de estrear bem e cair de produção.

No meio, Amaral ficou quatro meses esquecido, deu a volta por cima e fez o gol de empate no primeiro jogo; Elias superou o problema de saúde do filho; Luiz Antonio venceu a desconfiança; e Carlos Eduardo tenta calar as vaias.

Na frente, os desacreditados Paulinho e Hernane, este artilheiro do time, tornaram-se imprescindíveis. E, seja quem for o escolhido pelas estrelas para brilhar hoje, terá o apoio de quase 70 mil vozes. Um time de raça, amor e paixão, com a cara do Flamengo.

Ninguém é campeão de véspera

Os jogadores do Flamengo dão um bico no oba-oba. E se a euforia ameaçar contaminar os mais jovens, há no elenco jogadores com bagagem suficiente para ensinar que ninguém é campeão de véspera.

Léo Moura foi vice da Copa do Brasil em 2004 para o Santo André, e jogou na eliminação da Libertadores de 2008 para o América do México. Em ambos os casos o Rubro-Negro tinha a vantagem e fracassou num Maracanã lotado. O capitão acredita que hoje não acontecerá uma nova tragédia:

“É um grupo cheio de moleques, mas maduro suficiente para saber que não ganhamos nada ainda.”

Já André Santos, Felipe, Chicão e Elias, pelo Corinthians, perderam a decisão da Copa do Brasil de 2008 para o Sport, em Recife, mesmo tendo vencido em casa o jogo de ida por 3 a 1.
“Em 2009 fomos campeões. Isso nos dá bagagem. Você ganha mais experiência e pode passar para os mais jovens”, disse o lateral-esquerdo.

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