José Carlos Peruano promete: 'Quero ingressos mais baratos para o torcedor'

Candidato questiona da elitização do clube, a passividade do presidente Eduardo Bandeira de Mello e a falta de 'alma' do atual elenco

Por MARCELO BERTOLDO

Peruano -

Rio - Com origem nas organizadas do Flamengo, José Carlos Peruano, de 60 anos, quer dar voz ao torcedor rubro-negro na presidência do clube. Candidato da Chapa Amarela na eleição do dia 8 de dezembro, Peruano questiona da elitização do clube, a passividade do presidente Eduardo Bandeira de Mello e a falta de 'alma' do atual elenco.

O DIA: O que o motiva a ser presidente do Flamengo?

JOSÉ CARLOS PERUANO: Existe uma política de exclusão no Flamengo. A diretoria vive para 100 mil, mas precisa atender 40 milhões de rubro-negros. Não sou contra o programa de sócio-torcedor. O clube se elitizou e tem o desafio de fazer uma política para todos. Como presidente, quero ingressos mais baratos para que o torcedor de Seropédica, Saracuruna volte a prestigiar o Flamengo. É preciso resgatar essa raiz, valorizar os caras das embaixadas mais distantes (...) Vamos trabalhar 24 horas para toda a torcida. Tenho como concorrentes um candidato milionário do petróleo (Rodolfo Landim), um funcionário da Receita Federal (Ricardo Lomba) e um advogado (Marcelo Vargas). O meu conhecimento de futebol supera o de todos eles. Hoje, o Flamengo se paga. Não precisa ser milionário para comandar o clube.

Quais são as prioridades de seu mandato?

Recuperar os direitos dos sócios-proprietários. Nosso plano é atender a todos, fazer o Flamengo mais popular. É preciso cobrar um valor mais acessível de ingressos. Não sou engenheiro, médico ou jornalista porque dediquei minha vida ao Flamengo. Muitos dirigentes já militaram em torcidas organizadas. Hoje, as associam a criminosos. Para ser presidente do Flamengo tem que ter ficha limpa. Temos certidões negativas. A comissão eleitoral do clube faz uma devassa na vida dos candidatos. Eduardo Mano, coordenador da minha campanha, tem articulado tudo. No futebol, Marcos Braz é o meu vice de futebol, Rodrigo Caetano, o executivo, e Gabriel Skinner, o supervisor.

Como pretende aumentar e usar as receitas do clube?

A previsão de receitas do clube para o próximo triênio é de R$ 800 milhões, podendo chegar a R$ 1 bilhão. A eleição virou uma briga para gerir uma empresa. No entanto, para assumir o clube, é preciso ter paixão. Boca Juniors e River Plate não têm esse orçamento e estão na final da Libertadores. Existe o equilíbrio entre a paixão e a parte financeira. A atual gestão só visa ao dinheiro. O Flamengo não tem sido campeão por questão de energia. Eduardo Bandeira de Mello é ateu. Se o presidente do Flamengo não acredita em Deus, como São Judas Tadeu, padroeiro do clube, vai ajudar. Aí, contra o Corinthians a bola bate na trave, a bola do Vitinho sobe contra o São Paulo...

Qual é a estratégia para aumentar as receitas?

O Flamengo, na minha gestão, será o maior das Américas em seis anos, o maior do mundo em uma década. O clube tem um potencial enorme de crescimento para honrar os compromissos e aumentar o investimento, mesmo com o mercado se fechando para muitos. O Botafogo corre o risco de virar o América, cobrando ingressos a R$ 2,50. Se o Flamengo fizesse uma promoção como essa, cem mil torcedores ficariam fora do estádio. Os clubes do Rio estão se enfraquecendo.

Quem é seu favorito para o cargo de técnico em 2019?

Renato Gaúcho não tem perfil para ser o técnico do Flamengo. Ele fez o gol de barriga no Fla-Flu (final do Carioca de 1995), debochou quando defendeu o Botafogo. Antes, agrediu Djalminha, uma grande promessa que acabou deixando o clube. Cuca era o meu nome, caso não estivesse com problema de saúde. Vanderlei Luxemburgo, que é rubro-negro, é uma boa opção. Outra é o Marcelo Cabo, que subiu o CSA para a Série A. Imagino o trabalho dele com a estrutura do Flamengo.

E o perfil do elenco?

Se o time perde, empata ou ganha, não muda o semblante no rosto de ninguém. São jogadores frios, sem alma. O Flamengo é apenas um emprego para eles. Diego é o típico executivo, com o discurso passivo de uma diretoria que nunca contrataria um jogador de pulso, como Felipe Melo. O presidente Bandeira é cara da derrota. Quero valorizar a base, com profissionais que foram campeões pelo clube. Eles vão passar essa paixão para as novas gerações.

Quais são os planos para estádio próprio e uso do Maracanã?

O Flamengo precisa de um estádio multiuso para 35 mil pessoas na Gávea, com hotel para as embaixadas e torcedores de outros municípios e estados. É necessário todo um trabalho político e de parceiros para viabilizar o projeto. O Maracanã seria opção para grandes jogos, com o Flamengo assumindo controle, sem a concessionária que o administra. O Botafogo tem o Engenhão, o Vasco, São Januário. O Fluminense, que não manda jogos nas Laranjeiras, tem que vir para o nosso lado.

E os planos para a Gávea?

Quero levar os treinos do futebol para a Gávea, incentivar os jogadores a interagirem com o sócio, com o torcedor e visitarem as embaixadas de organizadas em outras cidades. Sou contra a construção da arena de basquete na sede, pois mudaria o projeto original. A Fla Boutique fechou as portas por conta da terceirização das lojas, que vendem ingressos e uniformes com antecedência e engolem os tradicionais parceiros.

Você pretende investir nos esportes olímpicos?

É preciso destinar uma parte da receita para o esporte amador. O Flamengo não pode, por exemplo, ter um atleta da ginástica olímpica vendendo brownie em frente ao Shopping Leblon. Que clube rico é esse que cuida da família? Esporte olímpico não é só basquete. É preciso olhar com carinho o remo, que deu origem ao clube.

 

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