Ricardo Lomba - Luciano Belford/Agência O Dia
Ricardo LombaLuciano Belford/Agência O Dia
Por Hugo Perruso e Marcelo Bertoldo

Rio - Escolha do atual presidente, Eduardo Bandeira de Mello, Ricardo Lomba vê sua candidatura como um desejo do seu grupo, SóFla, de continuar com o trabalho dos últimos seis anos. Atual vice de futebol rubro-negro e auditor fiscal da Receita Federal, ele acredita que o Flamengo está resolvido financeiramente e crê estar na hora de conquistar os títulos já em 2019.

O DIA: Por que ser presidente do Flamengo?

RICARDO LOMBA: Não é um projeto pessoal. Faço parte de uma gestão que está há algum tempo e vem fazendo um excelente trabalho. Pelo que já foi feito até agora, essa gestão se credencia a permanecer no comando do Flamengo pelo próximo triênio. Buscamos dentro do nosso grupo alguém que tivesse as condições para ser candidato e surgiu meu nome. É um projeto de um grupo que vem fazendo belo trabalho e temos o direito de pleitear pelos serviços prestados.

O DIA: Quais serão os desafios da nova gestão?

RICARDO LOMBA: Passamos num primeiro momento de saneamento das finanças, recuperação da credibilidade e da saúde financeira. Isso conseguimos. Depois, passamos pelo momento de estruturar melhor o clube. Falamos do CT novo, do módulo profissional que ficará para a base, dos ginásios da Gávea que foram reformados, do dojô, da piscina. Tem uma série de melhorias que fizemos. Então, o grande desafio passa a ser a conquista de títulos. Tivemos excelentes resultados nos esportes olímpicos, mas o futebol ficou devendo. É transformar tudo de grandioso que foi feito no Flamengo também em títulos no futebol. Nossa base evoluiu bastante, ganhou títulos, participou de competições internacionais com intercâmbio grande de atletas e profissionais. Revelamos jovens jogadores que serviram aos profissionais. O grande desafio é ser campeão no futebol e acho que estamos bem próximos, no caminho correto e acho que conseguiremos já a partir de 2019.

 

O DIA: Como pretende aumentar as receitas do clube ?

RICARDO LOMBA: Estamos num círculo virtuoso nessa direção. Você tem o Flamengo que readquiriu credibilidade e mostrou toda sua responsabilidade financeira, que honra seus compromissos, pagando suas dívidas. Toda dívida bancária está quase equacionada, em torno de R$ 30 milhões que a gente pagará no próximo ano. E a dívida pública também já está equacionada no Profut. São aspectos que trazem patrocinadores e fazem empresas quererem ser parceiros do Flamengo. Esse é o grande diferencial, de olharem que é um clube sério e que o dinheiro empregado dará retorno. Essa é a forma de aumentar as receitas.

O DIA: E as dívidas? Tem um plano para quitá-las?

RICARDO LOMBA: A dívida bancária, no próximo ano será paga. E ficaríamos só com a dívida pública, que está absolutamente equacionada. A pergunta é: a gente precisa quitar e ser um clube sem dívida ou pode ter uma dívida controlada que a gente pague com fluxo de caixa tranquilo, sem problema algum e que o dinheiro seja investido em outras áreas? Hoje temos patrimônio líquido positivo. O que fazemos é ter dívida controlada. Não vejo necessidade a curto prazo de correr para pagar uma dívida que está equacionada com financiamento do Profut e que conseguimos pagar durante muito tempo com um fluxo de caixa razoável para o Flamengo.

O DIA: Como melhorar o programa do sócio-torcedor?

RICARDO LOMBA: O programa vem sendo melhorado desde o seu lançamento, fizemos muitas experiências. Estamos hoje com 100 mil sócios-torcedores. Acho que o que precisa para dar alavancada boa é o estádio, de maneira que possamos fazer promoções, vender tickets ao longo da temporada, programas de visitas ao estádio e vestiários, encontrar com jogadores. Uma série de situações que estamos trabalhando, como a fidelização, que é um aspecto importante também. Já evoluímos, mas obviamente precisamos caminhar para evoluir mais.

O DIA: Então, qual o projeto para estádio? E o Maracanã?

RICARDO LOMBA:Tem que analisar três coisas. Primeiro, estádio próprio a gente já tem, que é o José Bastos Padilha (Gávea), que vamos torná-lo operacional novamente. Arquibancada já está em fase final da primeira etapa da obra. Depois faremos mais duas para que possa comportar 5 mil pessoas. Tão logo esteja pronto, vamos trazer jogos da base, feminino e do futebol americano. Pretendemos também instalar refletores e, para isso, precisa fazer reforma elétrica para comportar a nova carga de energia. E também uma demanda da torcida: trazer treinos esporádicos para aproximar torcedor e sócios dos jogadores. A questão do Maracanã, tivemos conversa com o governador eleito (Wilson Witzel) e ele quer conhecer melhor a situação jurídica do Maracanã para abrir licitação com a participação dos clubes. É um cenário que agrada o Flamengo porque acho que temos condições administrativas, financeiras e operacionais de administrar o estádio. Claro que precisaria fazer alguns ajustes, mas essa seria uma ótima opção, uma vez que já está pronto, bem localizado. Mas não podemos ficar indefinidamente parados esperando uma definição. Precisamos conhecer a proposta do governo e o prazo para dar os próximos passos. E para não ficar nessa dependência, nosso vice de patrimônio (Alexandre Wrobel) já visitou mais de 40 terrenos no Rio, hoje estamos negociando com três e muito em breve esperamos anunciar termo de intenção de compra de um terreno para construção de estádio para 50 mil pessoas. Se for processo lento (licitação do Maracanã) como vem se arrastando até hoje, partiremos para construir nosso estádio.

O DIA: Pretende mexer na estrutura do futebol?

RICARDO LOMBA: Acho que temos estrutura boa, com vice de futebol, o diretor-executivo e quatro gerências (profissional, base, centro de excelência e performance e tem o centro de inteligência). Estamos estabelecendo nova metodologia e processo de trabalho, principalmente na parte de prospecção de jogadores, de ida ao mercado para verificar possíveis contratações. Já temos avançado bastante e acho que esse é o grande salto de qualidade, tendo estrutura como o novo CT, que nos coloca como um dos cinco melhores do mundo. A parte de estrutura ficaremos bem servidos.

O DIA: E a escolha do técnico para 2019? Já foi definido o nome?

RICARDO LOMBA: É uma questão que peço licença de me manter afastado porque ainda temos campeonato sendo jogado e um treinador contratado até o fim de dezembro. Não é inteligente falar sobre qualquer tipo de mudança. Estamos há algum tempo fazendo planejamento e se tivermos a felicidade de ser eleito daremos continuidade. Caso não, entregaremos para o próximo presidente e será decisão dele.

O DIA: Qual será o perfil do elenco para 2019 ?

RICARDO LOMBA: Sempre tem que buscar o perfil do Flamengo, que é vencedor, de identificação com torcida, raça e comprometimento. Jogadores que tenham noção do que é Flamengo, do que representa jogar pelo clube. É isso que vamos buscar.

O DIA: Pretende fazer contratações de peso maior?

RICARDO LOMBA: Acho que a contratação do Vitinho mostra que Flamengo é um time com saúde financeira e que pode fazer contratações. Mais do que nome de peso precisamos entender eventuais carências do elenco em função de esquema e do que se espera em campo para partir para o mercado. E claro, se tiver nome de peso que se encaixe nas características e que caiba no orçamento, iremos contratar. Flamengo não fará em hipótese alguma qualquer tipo de aventura financeira em que não possa honrar os compromissos. Com muita sobriedade e responsabilidade vamos ver o que podemos e devemos fazer para tornar o Flamengo ainda melhor. Em todo time é importante ter jogadores de referência e se puder desenvolver em casa do que contratar, muito melhor.

O DIA: Quais os projetos para a Gávea?

RICARDO LOMBA: É um outro desafio que já temos avançado, com conquistas. Fizemos muitas obras, reformamos todos os banheiros e os três ginásios, colocamos piscina olímpica reconhecida como uma das melhores do mundo, se não a melhor. O dojo hoje também está entre os melhores do Brasil. Recentemente inauguramos o cinema do Flamengo, com programação para o público infantil e para os adultos. E por conta de uma mudança conseguida por essa administração, da utilização do solo da Gávea, vamos atender uma demanda antiga dos sócios, que é o bar temático. O projeto, inclusive, vai ser levado em breve ao Deliberativo, já está pronto. Será o Flabar, onde vamos poder, além de desfrutar o restaurante, assistir aos jogos em telões. Também teremos nova sauna próxima ao parque aquático, construiremos nova academia e já temos todas as licenças e projeto aprovado para a Arena Multiuso.

O DIA: Como melhorar os resultados dos esportes olímpicos?

RICARDO LOMBA: Aí completamos tripé de importância do Flamengo (futebol, Fla-Gávea e esportes olímpicos). Eles têm que ser muito fortes. Os esportes olímpicos, apesar das críticas, têm sido bastante vitoriosos. Nesse período, foram 251 conquistas, o que representa um título a cada 8 dias. Isso é bastante relevante. O basquete é campeão mundial, estamos agora com dojo de primeiríssima linha e a Sarah (Menezes) está treinando com a gente, o mesmo acontece na ginástica artística. Obviamente precisamos investir ainda mais e é o que faremos com natação, polo aquático, vôlei feminino adulto. Em relação ao remo, já temos feito investimentos fortes, reformamos toda estrutura. O que nos dá uma crença num futuro promissor e nos dá total convicção de que já em 2019 recuperaremos a hegemonia no remo. Os esportes olímpicos precisam de orçamento melhor, mas pensamos que precisam também ter captação de receita, de patrocínio próprio. Uma inovação que pretendemos implementar é colocar um departamento de marketing específico para isso.

 

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