Campeão da Liberta em 81, Adílio aconselha: "Precisa jogar como o Flamengo"

Terceiro jogador que mais vezes vestiu a camisa rubro-negra, ídolo vive expectativa pelo bi após 38 anos

Por MARCELO BERTOLDO

Adilio, jogador de futebol. Periodos novembro 1978 a fevereiro de 1997.
Adilio, jogador de futebol. Periodos novembro 1978 a fevereiro de 1997. -
Rio - Com a camisa 8 do Flamengo, Adílio fez parte da mais vitoriosa e inesquecível geração do clube. Dono de rara habilidade, era considerado o 'motor' de um meio de campo que tinha Zico como estrela maior.Na galeria de ídolos do Flamengo, apenas Júnior, com 876 jogos, e o próprio Zico, com 732, vestiram mais vezes o manto rubro-negro do que Adílio. 38 anos depois da conquista da primeira Libertadores do Flamengo, o ex-jogador se diverte com o filme que repassa em sua cabeça com a volta do Rubro-Negro à final, dessa vez contra o River Plate-ARG. Feliz com o futebol alegre e ofensivamente agressivo proposto pelo técnico Jorge Jesus, sonha com o final feliz que ajudou a protagonizar em 1981.

Qual é a sensação de acompanhar a volta do Flamengo à uma final de Libertadores?

Adílio: De muito carinho e emoção. É um filme que volta à cabeça. Meus filhos não presenciaram este momento. Eles cresceram ouvindo histórias, detalhes daquela conquista. Hoje, como muitos outros torcedores, terão a essa chance. Meu filho mais velho, Adílio Júnior, tem 36 anos. Ele está feliz da vida, pois acompanhará a final em Lima.
O Flamengo está pronto para buscar o título contra o River Plate-ARG?

O Flamengo tem um elenco bem treinado, focado e experiente. Está jogando certinho, não tem mudado o estilo, independentemente do adversário. Isso é importante. Todos se conhecem, se entendem em campo. Isso é muito legal de ver. Essa maneira característica de jogar pode favorecer o Flamengo na final, ser fiel ao seu estilo.
Como vê a comparação de recordes e de estilo entre o time da década de 1980 e o atual?
É difícil comparar, mas o time mágico de 81 é melhor porque colecionou conquistas. Todo adversário que enfrentávamos tinha três, quatro, cinco jogadores com nível de seleção brasileira. Não era nada fácil vencer um São Paulo, Palmeiras, Atlético-MG... Hoje, ao visitar embaixadas de torcedores do clube, de Norte a Sul do país, temos a noção que essa paixão pelo clube foi alimentada pela geração que tive o privilégio de fazer parte. São outros tempos.
Quem é o jogador do atual elenco que se aproxima do seu estilo de jogo?
"Há jogadores com características parecidas. Everton Ribeiro lembra bastante o estilo quando arranca driblando para furar o bloqueio, caindo pelos lados. Gerson, pelo domínio e poder de organização. Arão, pela infiltração, sempre chegando à frente. Andrade ficava. Eu, Lico e Zico tínhamos mais liberdade. Leandro e Júnior também apoiavam muito. Quase todos atacavam.
Qual é a mensagem que você deixa para os jogadores no jogo mais importante do clube nos últimos 38 anos?
Peço que se dediquem e aproveitem ao máximo o momento. O clima é bom, o time é bom, entrosado, a torcida está do lado... Portanto, ele têm que aproveitar a oportunidades como fizemos em 81. É importante ter tranquilidade e sangue de 'barata' quando preciso para não cair na catimba argentina. E, acima de tudo, jogar como Flamengo, para cima, explorar a habilidade, dar caneta... Fazer o jogo que estão acostumados.
Alguma boa história para recontar de 81?
São muitas. Estava com Mozer e Tita esta semana e lembrei que quando o jogo estava complicado, tentava cavar uma faltinha para o Zico. Pode ser um caminho...

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