'Tomara que este time fique marcado na história', afirma Zico

Maior ídolo do Flamengo, Galinho, capitão no último título da Libertadores do clube, em 1981, está confiante para ver o Rubro-Negro campeão em 2019

Por Venê Casagrande

Zico ao lado de Jorge Jesus
Zico ao lado de Jorge Jesus -

O dia mais importante do Flamengo nos últimos 38 anos chegou. Hoje, às 17h (horário de Brasília), o time de Jorge Jesus entrará em campo para pegar o River Plate, pela final da Copa Libertadores da América, competição que o clube carioca levantou uma única vez, em 1981. Na semana em que a equipe se preparou para buscar o bicampeonato continental, a reportagem conversou com Zico para sentir a emoção do maior ídolo da história do Rubro-Negro, que, desta vez, ficará apenas na torcida.

O DIA: Como vê a volta do Flamengo a uma final da Copa Libertadores da América depois de 38 anos?

ZICO: A gente fica feliz como torcedor. Ver o Flamengo novamente em uma final de Libertadores e de uma forma muito merecida é sensacional. Pelo grande futebol que está apresentando e pela empatia que criou com a torcida neste ano. A gente quer ver o Flamengo sempre disputando títulos, como está acontecendo este ano. Além da Libertadores, o time pode ganhar o Campeonato Brasileiro. Está muito próximo.

Qual é o melhor time, o Flamengo de 1981 ou a versão de 2019?

Não tem essa história de melhor ou pior. Nada disso. Eu acho que o time de 1981 marcou história pelos resultados e conquistas. Tomara que este time fique marcado na história do clube. A gente quer que o Flamengo ganhe, e a torcida fique feliz. Isso é o que importa. Não pode comparar os times e as épocas. São tempos totalmente diferentes. Não dá para comparar. Como eu disse, não tem essa história.

O que espera do jogo com o River Plate? O Flamengo é o favorito?

Espero um jogo muito equilibrado. O River Plate é um ótimo time. Ano passado, enfrentei o River Plate pelo Kashima Antlers. Fizemos no início um bom jogo, mas eles têm muita qualidade. É um time que não se pode estar desatento quando se enfrenta. Por ser um jogo só, tem que estar muito concentrado. Eu, pelo que eu vi do River, não está na mesma forma que no ano passado. Em 2018, se eles não tivessem botado um salto alto, poderiam até ter batido o Real Madrid na final do Mundial. Mas foram mal, acabaram perdendo nos pênaltis e terminaram sendo eliminados no Mundial. É um timaço o deste ano, mas acho que ano passado era melhor. Pela campanha, nós podemos dizer que o Flamengo leva vantagem e é favorito, mas cada jogo é um jogo.

Uma mensagem para o time atual rumo ao título?

Eu acho que a mensagem que devo passar é de confiança total. Que Deus os abençoe e que eles possam botar em prática tudo o que sabem. Eles mereceram essa condição, de disputar a final, e estão jogando um futebol muito bonito, com muita raça, habilidade e determinação. Muitos méritos de Jorge Jesus porque ele fez os jogadores entenderem o que é jogar no Flamengo. Agora é dar a vida em campo e botar tudo em prática para conseguir o título e ficar eternizado na história do Flamengo.

Por falar em Jesus, como você avalia o trabalho dele?

Além de ser um excelente treinador, ele entendeu muito bem como é trabalhar no Flamengo. Claro que ele é importante, mas os jogadores também têm muito crédito neste ano. São jogadores muito qualificados, mas o dedo de Jesus é importante demais. O time dele faz um gol e vai atrás do segundo. Um cara que sabe ser gestor também.

No atual elenco, alguém pode ser o 'Zico' do time de 1981?

Eu acho que sou a última pessoa para responder isso. É uma situação diferente. Então, eu acho que o Flamengo de 1981 não dependia de mim. Eu era importante, é claro, mas era um time que era praticamente uma seleção brasileira. Eu, pelo talento que Deus me deu, eu pude ajudar o time a conquistar o título, mas não pode colocar apenas Zico como responsável. Em 2019, também penso igual. Cada jogo tem um destaque. Às vezes quando um não está bem, o outro resolve. É assim mesmo. Se um não está em um bom dia, o companheiro vai lá e resolve. Está sendo assim este ano.

Quem você acha que é o destaque do Flamengo nesta campanha da Libertadores?

O Flamengo tem vários destaques, mas a maior força é o conjunto, o grupo, o time. A equipe tem dois atacantes superdecisivos, Gabigol e Bruno Henrique, dois armadores excepcionais, Arrascaeta e Everton Ribeiro, e a chegada dos dois laterais experientes, Rafinha e Filipe Luís, ajudou muito. Foram duas ótimas contratações. O achado que foi o Gerson também. Eu acho que o time está muito bem encaixado. Gerson chegou muito bem. O entrosamento da zaga é sensacional. Rodrigo Caio e Marí estão muito bem na zaga. E o Diego Alves toda vez que é preciso faz uma grande partida. É um conjunto muito bom.

Você, é claro, torcerá pelo Flamengo. Fez alguma promessa para ver o clube do seu coração conquistar o bicampeonato da Libertadores?

Eu nunca fiz promessa na minha vida e não vai ser agora depois de velho (risos). Eu estarei na torcida sempre. Isso não vai faltar. O Flamengo, o clube e a torcida merecem este título da Libertadores. O trabalho está sendo muito bem feito. Agora só falta um jogo para o Flamengo voltar a conquistar a América. Agora é torcer e mandar vibrações positivas para conseguirem o título.

 

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