Ricardo Tenório, candidato a presidente do Fluminense: 'Vamos cuidar do torcedor'

A eleição no Tricolor será neste sábado, dia 8 de junho, nas Laranjeiras

Por HUGO PERRUSO

Ricardo Tenório é candidato a presidente do Fluminense
Ricardo Tenório é candidato a presidente do Fluminense -
Empresário do ramo imobiliário, Ricardo Tenório já foi vice de futebol em duas oportunidades (2009 e 2014) e tentará pela primeira vez, no sábado, ser eleito presidente do Fluminense. Aos 59 anos, ele faz parte da chapa 'Libertadores', cujo vice geral é Wagner Victer, ex-presidente da Cedae e ex-secretário de Educação do Estado do Rio.

O DIA: Por que ser presidente do Fluminense?
RICARDO TENÓRIO: Para ter a oportunidade de reunir um grupo de tricolores com experiência profissional e currículo, e liderar a reconstrução administrativa e financeira do Fluminense.

O que muda ao assumir no meio do ano? Dá para fazer mudanças drásticas?
Pra que fazer mudanças drásticas? Com relação ao futebol profissional, eu estarei atento e terei o cuidado de não tumultuar o ambiente com inovação desnecessária. O sucesso nos campeonatos que estamos disputando é importante e eu tudo farei para que isso aconteça.
Como resolver a grave situação financeira do clube para 2019? É possível manter os salários em dia até o fim do ano?
Há muita escuridão nos processos de decisão do Fluminense. Há uma dívida de valor considerável que precisa ser resolvida pelas causas, e não pelas consequências. Vamos rever procedimentos, reavaliar os contratos e tomar decisões firmes que reduzam as despesas e não tenham impacto direto no sucesso do futebol profissional. Minhas primeiras indicações foram para as vice-presidências financeira (Ney Brito) e jurídica (Rafael Rolin) e já convidei o profissional que será diretor-executivo (Sandor Hagen). Quando você examina os currículos verifica que a experiência deles em gestão financeira é grande. Com eles, resolveremos o problema.
Por que o Fluminense não consegue patrocinador master? É possível acertar com alguém ainda este ano?
O modelo ideal de patrocínio é aquele que garante ao patrocinador algum grau de retorno para a marca. Quando isso acontece, ou está garantido nas negociações, o patrocinador coloca dinheiro na composição da marca e na exposição. Tenho certeza de que com a sinalização de austeridade, eficiência e transparência, com resultados no futebol profissional, será mais fácil conseguir os patrocínios.
Parte da torcida quer focar só no futebol. Vai investir nos esportes olímpicos?
Eu entendo o Fluminense como um conjunto que tem no futebol a valorização da marca. Por que não encontrar, com criatividade, uma forma de os esportes buscarem investimentos? Há a necessidade de separação dos caixas do Fluminense. O futebol hoje representa 90% das receitas, mas o clube social e o esporte olímpico têm potencial para se sustentarem. A missão é dar as condições para que isso aconteça, ter uma infraestrutura bem cuidada e atenção para tudo que possa gerar receita, para não perdermos oportunidades.
Que análise faz do trabalho de Fernando Diniz?
Ele faz um bom trabalho. A comissão técnica terá um período de pré-temporada na Copa América e precisa de tranquilidade para trabalhar. Minha missão é dar condições.
Pretende fazer contratações de imediato?
Isso será decidido pela comissão técnica. Hoje é impossível dizer.
Como fazer a torcida voltar aos jogos?
Estimulando pelo bom atendimento, pela comunicação direta e resultados em campo. O torcedor é mal compreendido e mal atendido pelo clube. Isso mudará com a gente no comando. Vamos cuidar do nosso torcedor.
Qual o projeto para o sócio-torcedor?
O Fluminense olha o torcedor como cliente. Deve olhar como dono, como alguém que, pela paixão, fideliza a relação comercial com o clube. O sócio-torcedor é aquele que, além de torcer, está literalmente preocupado com os negócios do clube, da maneira como é administrado. Hoje os sócios não têm noção dos planos que são oferecidos. O programa precisa ir além da relação comercial para uma relação de comunicação mais próxima. De informação, de participação direta nas ações de marketing do clube.
Qual a importância de Xerém e o que pensa para melhorar a estrutura?
Xerém tem dado às contas do Fluminense um alívio enorme. E o que recebeu de retorno? Quanto foi investido? No meu desenho, Xerém terá participação financeira nas transferências dos jogadores que formou, mas com a obrigação de cumprir um plano de investimentos definido pela presidência. Meu desejo é ampliar os investimentos em Xerém. O trabalho é bom, mas pode ser ainda melhor se pensarmos em investimentos em recursos tecnológicos, infraestrutura, capacitação técnica. Outra iniciativa é atrair patrocinadores específicos para a base e reforçar os investimentos em Xerém.
Como vê a gestão do Maracanã? Pretende manter a parceria com o Flamengo?
Pretendo sim, mas tendo o Fluminense como protagonista no mesmo patamar de importância do Flamengo, e não como é hoje. O Maracanã é nosso. Sempre foi. Uma das primeiras tarefas do vice jurídico (Rafael Rolin), que é procurador do Estado e conhece como poucos a relação com o Maracanã porque cuidou do assunto, será rever esse acordo para ajustarmos de forma que o Fluminense também seja protagonista.
Pretende utilizar o projeto de revitalização de Laranjeiras?
Acho muito bom. Na realidade é um estudo viabilizado por tricolores apolíticos engajados em ajudar. Sem custos para o Fluminense, acho bastante interessante e, inclusive, convidei o Gustavo Marins (um dos integrantes do grupo idealizador do projeto) para o cargo de vice de patrimônio para cuidar desse assunto.

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