aixo. Infelizmente eu finjo que não vejo, que é normal. Porque acontece com bastante frequência esse tipo de postura, inclusive no clube. Mas, desta vez foi muito grave, na frente de todos. Me senti constrangido" conta Gabriel.
Ao deixarem a piscina e irem para as quadras de futsal, o mesmo segurança abordou os jovens, e pediu para que eles abrissem as mãos. Depois disso, Gabriel foi para o banheiro chorar e ligou para o pai. Felipe contou que o segurança justificou a abordagem porque achava que eles "estavam fumando maconha".
"Agora estou muito melhor, mas na hora foi meio difícil. Fiquei chateado porque ele me abordou na frente de todo mundo. Fiquei mal, chorei. Tive raiva, quis ir para casa. Meus amigos e meu irmão, que são mais claros que eu e não foram abordados, me apoiaram. Me acalmaram. Eram mais de 20 crianças", conta Gabriel.
Assim que saíram do clube, Gabriel e a família foram até a 9ª Delegacia de Polícia, no Catete, para registrar queixa contra o funcionário, por racismo.
Felipe contou ainda que, ao chegarem na delegacia, o pai do atleta foi mal tratado e que os policiais foram agressivos com ele e com o filho. Nervoso, o jovem teve dificuldades para contar todos os episódios do caso. Contou que o menino foi chamado para depor sem a presença dele e que o policial ficou, a todo momento, amenizando os fatos relatados por Gabriel.
O tio de Gabriel, André Cheble, foi quem fez a história ter repercussão, e disse que não gostaria que o jovem abandonasse o esporte.
"Ele não quer mais nadar... Mas não quero que ele perca isso, essa vontade de ser atleta. Já estou em contato com o Flamengo. Tenho um filho, o João Gabriel, que é atleta de futebol (treina futebol de campo na Cabofriense e de salão no Botafogo), tem 13 anos, e não gostaria que ele perdesse esse sonho", disse André.
Gabriel Felipe, atleta de 15 anos do FluminenseDivulgação
Em uma nota oficial, o Fluminense informou que abriu procedimento interno para apurar os fatos administrativamente e tomar as medidas necessárias "mesmo após a autoridade policial, procurada pela família do adolescente, ter entendido não ter havido qualquer conduta do colaborador que pudesse caracterizar ilícito penal. Ainda assim, tudo será apurado".
O clube informou que "o colaborador já foi afastado de suas atividades e assim permanecerá enquanto durar a apuração por parte do clube". Como faz parte da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), o funcionário não pode ser demitido.
A diretoria do Tricolor ainda disse que "as acusações feitas em redes sociais merecem toda atenção. A discriminação, por qualquer razão, é intolerável. O Fluminense se orgulha de manter o lema Time de Todos como expressão de seus valores mais profundos e não transigirá com qualquer conduta que não preze pelo respeito integral a seus sócios e frequentadores".
A nota segue e afirma que "ao longo de sua história o clube foi alvo de calúnias que mancharam a sua imagem e justamente por isso não irá tolerar qualquer desvio. Mas o clube pede, em nome dos milhões de torcedores, que não haja julgamentos precipitados e não se tome a posição do clube pela conduta individual que será investigada com o rigor que o assunto pede".
O Fluminense informou ainda que "já está em contato com a família do jovem e envidará todos os esforços para acolher o atleta enquanto conclui a apuração do ocorrido".
Termina a nota dizendo que "ao longo do tempo, o Fluminense tem sido perseguido por torcedores de outros clubes que alimentam a ideia, preconceituosa e equivocada, de que o clube tolerou casos de racismo. Como vem sendo demonstrado na série Herdeiros de Chico Guanabara, em seu canal no Youtube, essa pecha é a expressão do preconceito e só poderá dar voz a isso quem não se informou ou os que estiverem mal-intencionados. Muitos falam e formam juízo sem a devida verificação dos fatos".
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