Em Itaguaí, malhação virtual ajuda quem não quer parar, mas é desafiadora

Professores e alunos tentam manter rotina de exercícios e apelam para alternativas

Por Jupy Junior

Professor Rômulo na live, Tatyana Maia usando filho como peso e Jonato Costa com botijão de gás: improviso para manter corpo em dia
Professor Rômulo na live, Tatyana Maia usando filho como peso e Jonato Costa com botijão de gás: improviso para manter corpo em dia -
ITAGUAÍ – Com o rigor do decreto para conter a pandemia no município, instaurado desde 24 de março, as pessoas que gostam de cuidar do corpo e da saúde viram-se em apuros: como manter aquele programa para emagrecer ou aquele objetivo de aperfeiçoar a silhueta com as academias fechadas? Para quem leva a sério as metas e para quem precisa continuar a sobreviver (ou seja, os professores), alguns recursos apareceram como uma tábua de salvação: a internet, e suas potencialidades. Porém, à medida que a quarentena avança o estímulo e o entusiasmo diminuem. No final das contas, com ou sem internet, o que realmente faz a diferença é uma coisa só: determinação.
LIVES E SACOS DE ARROZ
O professor de educação física Rômulo do Couto Maia trabalha como personal trainer e consultor. Antes da pandemia, acompanhava alunos como instrutor exclusivo em academias em Itaguaí. Como as academias tiveram que fechar, ele logo tratou de buscar alternativas com seus alunos e clientes. Uma delas foi usar um aplicativo Nexur Fit, no qual o professor grava os exercícios, salva como um treino e o aluno visualiza no celular, obedecendo ao que foi estipulado em um calendário.
Maia também começou a divulgar as lives. Fez várias durante um mês, sempre às 19h de segundas, quartas e sextas. Nesta modalidade, os alunos simplesmente conectam e observam o que o professor faz na tela, ao vivo. Para o professor, uma desvantagem: é de graça. Uma hora de personal trainer custa, em média, 40 reais. “Fiz várias, mas a adesão foi diminuindo aos poucos, até porque o fato de ser de graça acaba por deixar o aluno menos comprometido”, explica ele. O interessante é que, longe da academia, o professor usa a criatividade e pede que os alunos usem pesos que são fáceis de encontrar em casa. Baldes cheios de areia, sacos de arroz de cinco quilos e até mesmo uma criança servem de acessório para ajudar a malhação e compensar a falta dos equipamentos.
Rômulo também considera que a eficácia sem o professor ao lado do aluno nunca será a mesma, e confessa que a dinâmica das lives, embora ainda tenha gente fazendo, acaba comprometendo o estímulo dos praticantes.
Ele aposta na modalidade presencial com no máximo dois alunos: “acho que daqui para a frente vai ser assim: pouquíssimos alunos em um espaço no qual se possa manter a distância social, sem perigo de ninguém contrair o vírus, mantenho o máximo de higienização, mas malhando ao vivo”.
ALUNA COMENTA
Renata dos Santos, aluna de Rômulo e moradora do centro, gosta das lives porque acha que com hora programada fica mais fácil se organizar. Além disso, segundo ela, há interação com outros alunos e dá para saber quantas pessoas estão conectadas. Ela cita também que conseguiu se adaptar aos aplicativos, e que considera que os recursos tecnológicos são ótimos para que os alunos não percam o foco dos seus objetivos.
O que não é problema para Renata constitui justamente o principal desafio: como manter o estímulo, organizar a agenda e ficar em frente ao celular ou laptop para acompanhar uma aula? Há quem esteja com o dia a dia mais atribulado do que tinha antes da pandemia. Apesar disso, há quem ainda consuma – leia-se pague – para que um professor prepare um vídeo e o encaminhe para o aluno seguir à risca em casa.
Renata e Rômulo antes da pandemia: ela acha as lives ótimas, ele lembra que há uma nova tendência em curso - Arquivo pessoal
A DISTÂNCIA, SOB DEMANDA
É o caso de Arilmar Araujo, professor da academia Di Paola, no calçadão de Itaguaí, que, como as outras, está com as portas fechadas. Arilmar, assim como o professor Rômulo, buscou alternativas e fez algumas lives no Instagram, diretamente da varanda do seu sítio. Mas parou por causa de um detalhe bastante simples: não tem remuneração. Ele então investiu em um produto: fazer vídeos e enviar para os alunos mediante pagamento. Assim ele tem mantido alguns clientes. Quanto ao valor dos vídeos, ele não revela, mas há programas mais e menos baratos, a depender do tempo do treinamento estabelecido.
Arilmar também adotou o uso de pesos em casa para compensar a falta de equipamento específico: em uma das lives, um belo balde é o acessório para uma série de agachamento. Vale usar a criatividade para manter a forma.
 
O professor Arilmar Araujo faz vídeos em casa para os alunos: lives não compensam - Arquivo pessoal
O que ambos os professores concordam é que de nada adianta a ferramenta tecnológica mais moderna se a força de vontade não for grande. Com o professor perto ou na tela, o que vale é seguir à risca uma alimentação equilibrada e caprichar no exercício. Afinal, a única conexão que vale é com a sua meta saudável.

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Professor Rômulo na live, Tatyana Maia usando filho como peso e Jonato Costa com botijão de gás: improviso para manter corpo em dia Arquivo pessoal
Jonato Costa com botijão de gás para fazer peso: vale de tudo para não perder a malhação Arquivo pessoal
Nexur fit, o aplicativo: para professores enviarem exercícios para os alunos Reprodução internet
Renata e Rômulo antes da pandemia: ela acha as lives ótimas, ele lembra que há uma nova tendência em curso Arquivo pessoal
O professor Arilmar Araujo faz vídeos em casa para os alunos: lives não compensam Arquivo pessoal

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