Niterói decreta luto de três dias pela morte do arquiteto Ítalo Campofiorito

Membro da equipe de Oscar Niemeyer que construiu Brasília, foi um dos idealizadores e primeiro diretor do MAC, além de secretário municipal de Cultura

Por Irma Lasmar

Ítalo entre os amigos e também arquitetos Oscar Niemeyer e Glauco Campello
Ítalo entre os amigos e também arquitetos Oscar Niemeyer e Glauco Campello -
Niterói - A Prefeitura decreta, nesta sexta-feira, luto oficial de três dias pela morte do arquiteto e urbanista Ítalo Campofiorito, membro da equipe de Oscar Niemeyer que construiu Brasília e um dos idealizadores do Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, de onde foi o primeiro diretor, entre 1996 e 2004, período em que também foi secretário municipal de Cultura. Em Niterói, também integrou o Conselho Deliberativo e o Conselho Municipal de Tombamento de Niterói. Ele tinha 87 anos e se curava de um câncer quando enfartou na última quarta-feira em sua casa no Leblon, zona sul da capital fluminense, sendo velado e enterrado na quinta-feira no cemitério Parque da Colina, em Pendotiba.
Nascido em Paris, capital francesa, em 1933, Ítalo e mudou para o Rio de Janeiro, onde se formou em 1956 pela Faculdade Nacional de Arquitetura do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Era filho do casal de artistas visuais Hilda e Quirino Campofiorito - cujo acervo doou ao Solar do Jambeiro - e neto de Pietro Campofiorito, arquiteto italiano que na década de 1910 projetou o Centro Cívico, conjuntos de prédios públicos no entorno da Praça da República, no centro de Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro.
Professor universitário de arte e crítico literário, atuou na Associação Internacional de Crítica de Arte (Aica) e no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde coassinou o tombamento de Brasília. Especializado na área de tombamento de patrimônios históricos, foi chefe do Serviço Metropolitano Urbanístico de Brasília, entre 1961 e 1963; diretor do Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac) do Rio de Janeiro entre 1979 e 1980; presidente da Fundação Nacional Pró-Memória (FNPM) e secretário do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entre 1989 e 1990. Em 2012, foi tema de um dos livros da Coleção Modernismo +90, da editora Casa da Palavra, em comemoração aos 90 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. 
“Ítalo Campofiorito e toda a sua família estão registrados na história desta cidade como referências do pensamento, da arte e da arquitetura. Seu legado é belíssimo, de defesa do patrimônio cultural brasileiro. Ítalo foi fundamental para a história recente de Niterói, pois colaborou de forma decisiva para a preservação da memória e patrimônio do município, e também um dos responsáveis pelo grande legado em obras de Niemeyer na cidade. Uma grande perda para a cultura brasileira”, lamentou o prefeito Rodrigo Neves.

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