Jornalista promove tour virtual em cenários históricos da ditadura em Niterói

Anderson Madeira de Carvalho reconta um pouco da época do regime militar em Niterói com base em seu livro-reportagem

Por Irma Lasmar

Anderson Madeira de Carvalho e sua obra, 'Niterói na época da ditadura', que serve de roteiro para a visita online
Anderson Madeira de Carvalho e sua obra, 'Niterói na época da ditadura', que serve de roteiro para a visita online -
NITERÓI - O jornalista e escritor Anderson Madeira de Carvalho promoverá, no dia 21 de setembro das 18h30 às 20h, um tour on-line sobre a história de Niterói durante o regime militar, baseado em seu livro-reportagem Niterói na época da ditadura (editora Gramma, 2019). A visita virtual percorrerá todos os pontos históricos da cidade que foram palco de eventos importantes no período, como o Ginásio Caio Martins, a Câmara Municipal, o DCE da UFF e o Museu do Ingá, entre outros. Os ingressos custam R$20 e estão disponíveis no site sympla.com.br/tour-virtual-niteroi-durante-a-ditadura---do-caio-martins-a-fortaleza-santa-cruz__954610?fbclid=IwAR2nNlKux5Qo4BrEu9Ymup20VZtWSJ4bpHLYORYEr6sLSczv1OEA3tXM6tY . 
Esse tour começa no Ginásio Caio Martins, em Icaraí, onde ficaram mais de mil presos políticos logo após o golpe de 1964. Prossegue até a atual sede da Câmara Municipal, onde durante os anos de chumbo funcionou a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), tendo ao lado a 76ª Delegacia de Polícia, local que abrigou durante a ditadura o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), que interrogava as pessoas suspeitas de subversão. O passeio segue para o Sindicato dos Operários Navais do Estado do Rio, no Barreto, na época a maior vítima na ditadura entre as entidades classistas da cidade, tendo todos os seus dirigentes presos e torturados. Em seguida, chega-se ao Quartel da PM General Castrioto, no Centro, que encarcerou vários presos políticos. A próxima parada é a Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha, na Ponta d'Areia, onde no período do regime militar funcionou o Centro de Informações da Marinha e o Centro de Armamento, locais de torturas físicas e psicológicas.
Depois, percorre-se a sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE) Fernando Santa Cruz, da Universidade Federal Fluminense, palco de resistência ao regime que sofreu forte repressão pelos militares. Em seguida, passa-se pelo Palácio do Ingá, sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro e residência oficial do governador até a fusão dos estados do Rio e da Guanabara, em 1975 - hoje museu. Na sequência está o prédio da Reitoria da UFF, em Icaraí, antigo hotel-cassino nos anos 1940 e único prédio em estilo art-decó de Niterói. Na ponta final do trajeto está a Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Jurujuba, também usada como presídio político, inclusive de jornalistas como Nelson Rodrigues Filho, filho do dramaturgo Nelson Rodrigues. O evento tem como bônus as manchetes de jornais locais da época do golpe, a capa e um trecho da obra Um não sei o quê que nasce não sei onde, da dramaturga Maria Jacintha Lopes Trovão, relatórios do DOPS e trechos do livro de Anderson Madeira de Carvalho, que serviu de inspiração ao tour.
Além da formação em Jornalismo pela UFF há 23 anos, o autor também é guia de turismo formado pelo Centro Integrado de Estudos em Turismo e Hotelaria (Cieth) e cadastrado no Cadastur. Ele se revela um apaixonado por História e Turismo e pela cidade de Niterói, com todos os seus locais históricos e a sua gente.

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