Alta temperatura destruiu eletrodomésticos de vizinhos de incêndio

Vizinhos da tragédia em Caxias estão traumatizados

Por bferreira

Rio - Dois dias depois do incêndio em seis tanques de combustíveis da empresa Petrogold, em Duque de Caxias, moradores da Vila Maria Helena, que não tiveram suas casas afetadas pelas chamas souberam ontem a dimensão da tragédia que matou uma pessoa e feriu oito, deixou 114 famílias desalojadas.

Com máquinas fotográficas e celulares nas mãos, muitos invadiram o trecho interditado da Rua Emílio Gomes, onde o fica o depósito queimado e registraram imagens chocantes. Na rua, fiações expostas, postes caídos no chão, portões de ferro retorcidos e vidros quebrados. Numa casa, as pedras portuguesas se soltaram da parede. Ao lado, uma garagem lembrava bem o caos: um carro incendiado e totalmente destruído.Há casas que ainda estão quentes. A indignação dos moradore foi interrompida por um policial militar que vigiava a área e os tiraram de lá.

“Sei que o local é perigoso. Ainda há cheiro forte de álcool queimado, mas tinha que ver de perto esse cenário de devastação. As casas foram arrasadas pela alta temperatura”, disse emocionada a doméstica Vera Lúcia Jacinto, 53 anos, que não se conteve e chorou. “As pessoas tinham onde morar. Agora, não”.

Na região, 96 pessoas ainda estão sem casa. De acordo com agentes da Defesa Civil de Caxias, das 114 residências, 24 continuam interditadas e só devem ser liberadas hoje, após os cerca de 300 mil litros de álcool de três tanques, que estão com vazamento, serem retirados. A rua também vai passar por uma limpeza especial.

Cozinha ficou completamente destruída por incêndioEstefan Radovicz / Agência O Dia


Vizinhos da tragédia estão traumatizados

O incêndio no depósito de Vila Maria Helena deixou marcas até em quem não se feriu ou perdeu suas casas. “Quem passa por aqui pensa houve uma guerra na rua. Vi geladeiras, fogões e aparelhos eletrônicos destruídos, assim como telhas das casas, caídas no chão. Estou traumatizado. É um circo de horrores”, contou impressionado o assistente administrativo Djalma Pontes, 46.

A cerca de 200 metros do depósito, alguns moradores tentam esquecer a tragédia e voltar a sua rotina. “Desde quinta-feira, que não temos tempo nem para almoçar por causa da tragédia. O assunto em qualquer rua aqui é só o incêndio. As imagens das pessoas correndo e do fogo não saem da nossa cabeça. Não perdi casa, mas o sentimento é de tristeza”, comentou.

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