Por thiago.antunes

Rio - A manifestação do Fórum de Luta contra o Aumento das Passagens, que seguiu da Candelária até a Cinelândia na noite desta quarta-feira, teve tumulto entre os ativistas. A diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação, Vera Nepomuceno, pegou o microfone de um carro de som e afirmou que o movimento tinha comando.

Imediatamente, os manifestantes vaiaram Vera e o veículo ficou abandonado. Alguns deles pararam na Rua Araújo Porto Alegre, outros seguiram em direção à Fetranspor, na Rua da Assembleia. Mais de 10 mil pessoas protestam para a melhoria do serviço de transporte público, libertação dos presos em outras manifestações e o fim da Polícia Militar.

Fora a pequena confusão, a passeata ocorre pacífica. Estudantes, membros de partidos políticos, índios seguem no local. Diferentemente do que ocorreu na última quinta-feira, não houve qualquer briga entre os presentes no protesto. O aparato policial, conforme O DIA antecipou, foi incrementado. Mais de 500 homens de seis batalhões da PM estão entre a Alerj e a Fetranspor.

Bombeiros protestam em frente ao Theatro MunicipalMarcos Cruz / Agência O Dia

O presidente da Comissão da Verdade no Rio e ex-presidente da OAB, Wadih Damous, elogiou o movimento. "Essa é a verdadeira manifestação e assim que se faz a democracia. A rua é de todos", afirmou. O vereador Eliomar Coelho, do Psol, que protocolou a CPI dos ônibus, também acompanha a manifestação.

As pistas da Avenida Rio Branco seguem interditadas e a PM montou um cordão de isolamento nos dois lados da via. O protesto segue em direção à Alerj e depois para a vizinha Fetranspor. Até o momento, não há registro de tumulto no local. Pessoas jogam papéis picados das janelas por onde a manifestação passa.

Segurança

Cerca de 150 PMs estão nos arredores da Candelária e 100 estão posicionados na frente do prédio da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj)

Na Alerj, a situação também é tranquila. O catador de lixo Elias Viera, 41 anos, provocou uma cena inusitada. Ele passava com seu carrinho no local, com uma caixinha de som tocando o hino da corporação. Perguntado sobre o motivo da homenagem, ele foi enfático: "Os policiais não têm nada a ver com o erro do governo".

Ato vai parar na Câmara

Os coordenadores do Fórum de Luta Contra o Aumento das Passagens, grupo que liderou as principais manifestações do Rio, decidiu que o trajeto de hoje será da Candelária à Fetranspor, na Rua da Assembleia, com uma parada em frente à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia.

“Seguiremos na rua porque nossas pautas não foram atendidas”, explicou Priscila Guedes, de 23 anos, estudante de História na UniRio. A manifestação desta quinta-feira foi aprovada na noite de terça-feira, durante uma plenária com a presença de mais de 3 mil estudantes na UFRJ.

PMs cercaram frente do prédio da AlerjReprodução Internet

As reivindicações do grupo são: tarifa zero no transporte público para estudantes, desmilitarização da polícia e libertação dos manifestantes presos.

De acordo com o fórum, não serão aceitas negociações com o governo até que a redução das passagens deixe de ser custeada pelo subsídios aos empresários do setor.

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