Por thiago.antunes

Rio - Manifestantes do movimento Ocupa Cabral, retirados do trecho onde mora o governador por policiais, na última segunda-feira, negam envolvimento com o movimento ‘10.000 na rua do Cabral’, nascido nos últimos dias nas redes sociais e previsto para ocorrer na tarde desta quinta-feira.

Segundo o líder do grupo, Bruno Cintra, o protesto não é orquestrado pelo Ocupa Cabral. “Sequer sabemos quais são as reivindicações desta manifestação e não sabemos se ocorrerá de forma pacífica. Nossa luta por uma reunião com Sérgio Cabral continua, mas será travada na esfera jurídica”, garantiu.

O grupo pretende apresentar uma pauta para o governador com pedidos para as áreas de saúde pública e segurança, entre outros pleitos.

Manifestantes retirados de rua

Policiais do 23º BPM (Leblon) destruíram o acampamento de manifestantes do movimento "Ocupa Cabral", no Leblon, Zona Sul da cidade, na madrugada desta terça-feira. O grupo ocupava um trecho da rua onde mora o governador do Rio, Sérgio Cabral, desde 21 de junho. Um dos integrantes foi detido acusado de quebrar o vidro de uma viatura da PM.

A mulher de um dos 14 bombeiros expulsos da corporação após os protestos da categoria em 2012 passou mal e teve que ser medicada. O ator Carlos Vereza esteve na 14ª DP (Leblon) prestando solidariedade aos jovens. Eles devem se reunir ainda nesta terça para decidir se voltam ao local. A Polícia Militar ainda não se se pronunciou sobre o caso.

Manifestantes foram levados à delegaciaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

A desocupação aconteceu menos de 24 horas após a divulgação dos números da pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada no jornal 'Folha de S. Paulo desta segunda-feira, revelando a queda acentuada de popularidade de Cabral e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, após início da onda de manifestações populares de junho.

À tarde, o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaqueu Teixeira, esteve no local para negociar a retirada do grupo, mas não houve acordo. O "Ocupa Cabral" reivindica uma reunião com o governador para a apresentação de uma pauta de reivindicações nas áreas da Saúde, Educação, Transporte, Segurança Pública e relativas à corrupção.

Segundo a estudante Luiza Dreyer, de 22 anos, cerca de 15 pessoas ocupavam cerca de 10 barracas na Rua Aristides Espíndola, enquanto outros tinham ido em suas residências buscar mantimentos e retornariam pela manhã. Os policiais e os agentes chegaram por volta das 2h, em cerca de 15 viaturas e vans.

Ela contou que todos já estavam dormindo quando foram surpreendidos. Barracas foram destruídas, colchões, mantimentos, cadeiras de praia, isopores, roupas de cama, material de higiene e pertences dos manifestantes foram colocados em vans da Seop e levados para a 14ª DP.

Ator Carlos Vereza foi prestar solidariedade aos manifestantes em delegaciaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

"Houve muita violência dos policiais. Não física, mas psicológica, moral. Vieram em um horário estratégico, quando todos estavam dormindo, de madrugada, chovendo e sem a presença da imprensa. Foram metendo a mão em tudo", relembrou Luiza, garantindo que o grupo não vai desistir de protestar enquanto não houver uma reunião com o governador.

Ela afirmou que o movimento já convocou nas redes sociais os manifestantes e simpatizantes que apóiam a causa. Eles devem se reunir ainda nesta terça-feira para decidir se voltam a ocupar a rua onde mora Cabral.

O ex-sargento do Corpo de Bombeiros, Paulo Nascimento, de 44 anos, afirmou que os policiais disseram que a desocupação do acampamento tinha sido ordenada pelo governador. Ele disse que conseguiu com outro colega evitar uma ação mais violenta da polícia, como a utilização de gás de pimenta. A mulher dele, Josefa Maria, de 33 anos, que o acompanhava, teve um aumento na pressão arterial. Ela foi socorrida por uma ambulãncia do Samu e medicada na Coordenação de Emergência Regional (CER) Nova Monteiro, no Leblon.

Colaborou Gabriel Sabóia

Você pode gostar