AfroReggae anuncia que vai reabrir no Complexo do Alemão

Decisão foi tomada após reunião com equipes da ONG

Por thiago.antunes

Rio - O coordenador do AfroReggae, José Júnior, anunciou, via Twitter, que a sede da ONG no Complexo do Alemão, na Penha, vai reabrir nesta quinta-feira, a partir das 10h. "Reunião com as equipes do @AfroReggae e tomamos uma decisão: Reabrirmos o Alemão!", escreveu Júnior na rede social.

A decisão vem após a expulsão do grupo após ordem do tráfico local no último dia 18. Na ocasião, Júnior afirmou que o recado foi dado por um líder comunitário e a decisão partiu de toda a ONG. "Existe uma questão de segurança séria, as pessoas da equipe podem ser assasinadas. Tenho muito receio que os ex-traficantes que tiramos do crime sejam atingidos também", disse na época.

“Disseram que tínhamos que fechar porque senão iriam explodir o prédio e matar muita gente”, contou. Ele acusa o pastor Marcos Pereira, líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, que está preso, de ser o mandante. Segundo Júnior, o pastor, preso em Bangu por acusação de estupro de duas fiéis da Igreja, também estaria por trás do incêndio na pousada mantida pelo AfroReggae, que ocorreu na madrugada do dia 16. 

“Se os 40 jovens já estivessem aqui poderiam ter sido mortos no incêndio criminoso”, diz Júnior. A redação do jornal comunitário ‘Voz da Comunidade’ também foi atingida pelas chamas.

José Junior acusou o pastor Marcos de ter encomendado o incêndioSeverino Silva / Agência O Dia

Júnior afirma que tomou a decisão contra a sua vontade, mas priorizando a segurança dos 23 funcionários e dos 350 jovens e crianças atendidos no núcleo do Alemão. “Os funcionários ficaram com medo. E, para não colocar vidas inocentes em risco, decidimos fechar os três espaços no Alemão”, afirmou o coordenador da ONG, que tem andado 24 horas acompanhado por seguranças armados em um veículo blindado. “O pastor Marcos é um psicopata, um gigolô de traficantes. A maior mente criminosa do Rio”, acusou Júnior.

Reunião com Cabral

Segundo José Júnior, uma reunião foi feita com o governador Sérgio Cabral, no dia 23, e ele assegurou que garantiria a segurança da ONG, caso a equipe retomasse às atividades. Ele acrescentou que Cabral ficou idignado com as represálias.

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