Grupo se reúne para decidir transformações no Museu do Índio

'Poderia ter iniciado há um ano', diz professor de antropologia da Universidade Federal Fluminense

Por bianca.lobianco

Rio - Começou no fim da tarde desta terça-feira a primeira reunião do grupo de trabalho que abordará as questões jurídicas ligadas à regularização fundiária do prédio do antigo Museu do Índio, situado no Maracanã, Zona Norte, que será transformado pelo governo fluminense em um Centro de Cultura Indígena. O grupo é composto por quatro representantes de lideranças indígenas, além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil seção Rio (OAB-RJ), da Defensoria Pública da União, da Procuradoria do Estado e da Secretaria Estadual de Cultura.

No dia 9 de agosto, quando se comemora o Dia da Luta Internacional dos Povos Indígenas, foi publicado no Diário Oficial do Rio o tombamento do prédio, decidido pelo governador Sérgio Cabral. Após oito horas de reunião, no último sábado, foi definida a constituição de três grupos de trabalho para debater a criação, no local do antigo Museu do Índio, de um Centro de Cultura Indígena.

Também no último dia 12, foi publicada no Diário Oficial do Município a decisão do prefeito Eduardo Paes de tombar o prédio do antigo Museu do Índio, que integra o Complexo Maracanã e estava ameaçado de demolição, junto com outros imóveis, para dar espaço a estacionamentos e outras obras, dentro do projeto de concessão à iniciativa privada do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã.

'Poderia ter iniciado há um ano', diz consultor

O professor de antropologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Mércio Gomes, que presidiu a Fundação Nacional do Índio (Funai) entre 2003 e 2007 e atua como consultor na questão do antigo Museu do Índio, mostrou otimismo diante da atitude dos índios e da boa vontade da secretária de Cultura do estado, Adriana Rattes, de “criar uma coisa nova que nunca existiu no Brasil e que represente a cultura dos povos indígenas do país, símbolo dessa atenção”. Gomes disse que está torcendo para que esse rumo seja encontrado.

Apesar de desconhecer ainda sob qual administração ficará o novo Centro de Cultura Indígena, Gomes avaliou que esse foi um bom caminho encontrado para o imóvel. Ele lamentou apenas que o processo não tenha começado há mais tempo. “Poderia ter iniciado há um ano”, disse. Gomes espera que a ocasião seja aproveitada para elaborar o projeto, “concluir e fazer acontecer”.

O segundo grupo de trabalho, que avaliará as questões emergenciais quanto ao uso provisório do espaço, tem encontro programado para esta quarta-feira no antigo museu. Ele é formado por seis representantes de lideranças indígenas, mais dois observadores da sociedade civil e representantes da Secretaria Estadual de Cultura. O terceiro grupo de trabalho tratará do conteúdo da futura instituição. A reunião dos integrantes é prevista para o dia 21 deste mês na Fundação Darcy Ribeiro.

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