Contra-ataque ao tráfico nas três maiores favelas

Secretaria anuncia pacificação da Maré, e polícia prende 26 em ação. Alemão e Rocinha, que já têm UPP, ganharão delegacias

Por thiago.antunes

Rio - A Secretaria de Segurança anunciou um pacote de ações para contra-atacar em áreas do Rio onde o tráfico já domina ou tenta se expandir. A principal medida foi o anúncio da criação de quatro Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no Complexo da Maré. Além disso, duas delegacias serão extraordinariamente criadas em favelas: na Rocinha e no Complexo do Alemão. A investida começou nesta quarta-feira com a Operação Netuno, que prendeu 26 suspeitos de tráfico e apreendeu armas na Maré. Houve tiroteio, carro da polícia foi atingido e oito mil alunos ficaram sem aulas.

Até a noite, 25 acusados continuavam foragidos, entre eles Morceguinho. Ao todo 51 pessoas tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Um dos principais alvos da ação era Marcelo Santos das Dores, o Menor P., que assumiu o controle da venda de armas e drogas do Terceiro Comando Puro (TCP).

Operação na Maré contou com forte efetivo policial%3A área terá quatro UPPs no ano que vemSeverino Silva / Agência O Dia

O Disque-Denúncia (2253-1177) oferece R$ 2 mil a quem der informações que levem à sua prisão. A operação da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança contou com 240 policiais civis e equipe da Polícia Federal. Foram utilizados quatro caveirões para vasculhar 16 comunidades do complexo.

Há três presos que usavam a comunidade Nova Holanda como entreposto de drogas. Compradas no Rio, eram vendidas no Espírito Santo. O transporte era feito em ônibus, com escolta de criminosos. Na operação desta quarta foram apreendidas armas, drogas, adaptadores para transformar pistolas em submetralhadoras, prensa e luneta.

>>> GALERIA: Veja fotos da operação na Maré

Houve confronto entre policiais e traficantes da Vila dos Pinheiros. Foram presos criminosos do Comando Vermelho e do TCP. “Se fizéssemos ação voltada para uma facção, correríamos o risco de fortalecer a outra”, explicou o subchefe operacional da Polícia Civil, Fernando Veloso.

Cinco mulheres

Quatro presos são mulheres. Paula Roberta Silva Rodrigues,Tatiana Luiza Ramos da Silva, Thaylla Costa Brasiliense e Ana Cristina dos Santos. Thaylla seria responsável pelo transporte de armas. 

Vidros de carro da polícia foram quebrados opor tiros disparados por traficantes na operação da MaréSeverino Silva / Agência O Dia

Outro braço feminino da quadrilha seria Fabiana da Silva Ramos. Segundo investigações, ela é traficante baseada no Espírito Santo. Depois da prisão do irmão Wayner Vieira Vicente e do marido André Pereira dos Santos, teria assumido, com Guilherme Pinto da Silva, as negociações com os traficantes do Rio para abastecer Cariacica (ES).

Polícia apura se preso pagou liberdade

Durante as investigações da Operação Netuno, foi identificado que um dos acusados pode ter pago R$ 50 mil de propina para não ser preso em flagrante, em outro episódio. Apontado como responsável pelo transporte de armas de traficantes, Marcus Vinícius Lobato Reis, o Morceguinho, teria sido detido durante uma blitz policial.

Presos chegam à Cidade da Polícia após operação no Complexo da MaréFabio Gonçalves / Agência O Dia

Havia armamento em uma mochila, mas ele não ficou detido na 44ª DP (Inhaúma). A negociação teria sido feita por telefone. A suspeita de corrupção foi encaminhada à Corregedoria Geral Unificada. Mais uma vez, nesta quarta, alunos de escolas públicas e de ONGs ficaram sem aulas devido ao tiroteio no Complexo da Maré. Na terça-feira, mais de oito mil estudantes ficaram sem aulas devido à violência no conjunto de favelas.

Uma foto divulgada pela ONG Redes da Maré e publicada no DIA com exclusividade mostrava alunos deitados no chão da sala de aula para se protegerem dos tiros perto da escola.

Controle de bailes para vender drogas

As investigações apontam que Thiago da Silva Folly, o TH, é um dos homens de confiança de Menor P. TH seria gerente geral nas comunidades Morro do Timbau e Baixa do Sapateiro. É ele quem autoriza ou não a realização de bailes para aumentar a venda de drogas. Gravações telefônicas, autorizadas pela Justiça, revelaram que TH negociava a compra de dois quilos de cocaína a R$ 22 mil.

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