Rio - Após acusações de que o consórcio Novo Rio teria operado com mais ônibus do que a capacidade do terminal, o que teria provocado atrasos e contribuído para o caos no trânsito na saída do Rio, na noite da última quinta, a prefeitura quer construir uma nova rodoviária na cidade. A declaração foi feita pelo prefeito Eduardo Paes, em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo, e depois confirmada pelo secretário de Transportes, Carlos Roberto Osório.
“Na visão da prefeitura, a Novo Rio não comporta mais a alta demanda de veículos e escoamento dos mesmos. Existe a intenção de, através de uma parceria com o governo estadual, construir uma nova rodoviária, no terreno do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), no Trevo das Margaridas, em Irajá”, confirmou Osório. A escolha do terreno seria estratégica, já que a ideia é facilitar o acesso e escoamento de passageiros através de terminal do BRT Transbrasil, que deverá ser construído até 2016 e passará próximo ao local.
Na sexta-feira, a Secretaria Municipal de Transportes notificou a rodoviária por operar acima da capacidade, mas o consórcio operador rebateu, dizendo que o problema de atrasos nas partidas se devia aos congestionamentos verificados nas principais vias de acesso à cidade. Nesta segunda-feira, no entanto, o esperado caos no trânsito do Rio por causa da volta do feriado e do primeiro dia útil de interdição da Avenida Rodrigues Alves não ocorreu. Apesar de retenções pontuais, o tráfego fluiu bem na Região Portuária e nos arredores.
Quem se preparou para longa espera ao volante se surpreendeu com a facilidade com que chegou ao seu destino. Do acesso à Ponte, em Niterói, os motoristas gastavam, em média, 35 minutos para chegar ao Rio durante a manhã. No restante da cidade, havia lentidão habitual nos acessos às Avenidas Francisco Bicalho e Brasil (até Manguinhos), e nas saídas para o Elevado do Gasômetro.
Além de ressaltar os esforços dos motoristas que anteciparam a volta para o domingo, Osório comemorou o bom funcionamento das alterações feitas. “A faixa reversível na Via Binário e a inversão de mão da Sacadura Cabral, garantiram melhor fluidez.”
Menos carros e mais barcas
As previsões de longos congestionamentos nessa segunda reduziram o fluxo de carro na Ponte Rio-Niterói e aumentaram a procura pelas barcas. Segundo a CCR Barcas, a demanda ontem na Linha Praça 15-Arariboia era 25,7% maior do que a registrada habitualmente, com 80 mil passageiros até as 18h. De acordo com a CCR Barcas, houve reforço de uma embarcação com capacidade para 2 mil pessoas.
Na quinta-feira, a concessionária registrou seu recorde, de 148 mil passageiros. A Ponte registrou ontem uma redução de 29% no fluxo de veículos no horário de pico (entre 6h e 10h), em relação a uma segunda-feira antes do fechamento da Perimetral, e queda de 24% em comparação a segunda-feira passada.
Grupo de 30 motoristas de vans tenta invadir gabinete do prefeito
Um grupo de 30 motoristas de vans tentou invadir ontem o gabinete do prefeito Eduardo Paes, na Cidade Nova. Eles são contra a nova regulamentação das vans na Zona Oeste e queriam uma audiência com o prefeito. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, Paes não estava no local.
Uma porta do gabinete foi quebrada. Os motoristas foram recebidos por Claudio Ferraz, coordenador especial de Transporte Complementar. Depois, prestaram depoimento na 6ªDP (Cidade Nova).
O motorista Roberto Marucha Junior foi indiciado por dano ao patrimônio público, após ser reconhecido por um guarda municipal como responsável pela quebra da porta. Ele foi liberado após pagamento de fiança. “Todos forçaram a porta, mas eu fui o primeiro a entrar”, afirmou Roberto Marucha. Na 6ªDP, o clima entre os motoristas era de indignação. “O prefeito fugiu da responsabilidade de conversar conosco. Estamos sem trabalhar”, declarou Marcelo de Oliveira, diretor da Associação de Trabalhadores do Transporte Alternativo. “Se houve algum prejuízo, nós vamos pagar”, indicou.
Segundo o delegado Antenor Lopes, os motoristas estavam identificados quando acessaram o prédio. “O dano poderia ter sido muito pior. Rechaço qualquer invasão a órgão público”, resumiu o delgado.




