Dez mil pessoas acompanham missa de corpo presente de Dom Waldyr Calheiros

Dom Orani, arcebispo do Rio, e Dom Francisco Biasin acompanham o adeus ao bispo-emérito de Volta Redonda

Por julia.amin

Rio - O corpo de Dom Waldyr Calheiros foi sepultado nesta segunda-feirra na igreja Santo Cecília, em Volta Redonda. A cerimônia foi restrita aos parentes, aos padres mais próximos e à imprensa. Foram abertos os portões da igreja e uma multidão faz fila para dar o último adeus ao bispo.

Cerca de dez mil pessoas acompanharam a procissão João Marcos Coelho / Diário do Vale / Agência O Dia

O arcebispo do Rio, Dom Orani e o bispo da Diocese de Barra do Piraí, Volta Redonda, Dom Francisco Biasin, celebraram a missa de corpo presente do bispo-emérito da região, Dom Waldyr Calheiros, no início desta tarde na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no bairro Conforto.  Don Waldyr morreu no sábado, de falência múltipla dos órgãos, aos 90 anos. O corpo da maior voz que o estado já teve em defesa dos pobres, direitos humanos e trabalhadores, saiu em um carro do Corpo de Bombeiros em procissão de 4km até a igreja Santa Cecília, no Centro, onde será sepultado.

"Depois de tanto lutar em defesa dos mais fracos e oprimidos, agora dom Waldyr desfruta no céu a felicidade dos santos", disse Dom Orani. "Don wladir nasceu pobre, viveu como pobre e morreu pelos pobres", definiu Dom Francisco. Emocionadas, cerca de dez mil pessoas acompanham o adeus a dom Waldyr.

"Nosso bispo querido foi nosso maior profeta, era pequeno na estatura mas gigante na coragem, na defesa dos diretos", disse o metalúrguco aposentado da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Jaime Souza da Silva, 57 anos.

O bispo emérito Waldyr Calheiros se notabilizou pela defesa das causas sociaisErnesto Carriço / Agência O Dia

Pneumonia grave e internação

Dom Waldyr morreu às 9h deste sábado, aos 90 anos. Ele estava internado na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do Hospital da Unimed para tratar de um agravamento no seu quadro de pneumonia. Em nota, o hospital lamentou a morte do bispo. De acordo com a unidade, ele permaneceu internado na UTI por onze dias.

A prefeitura de Volta Redonda decretou luto oficial de três dias. "Perdemos um grande homem. Uma figura de extrema importância para o nosso povo e para o nosso país, na luta a favor dos mais fracos. Dom Waldyr vai ficar para sempre em nossa memória", disse o prefeito Antônio Francisco Neto (PMDB).

O bispo ficou conhecido pelo engajamento destacado e incansável em movimentos sociais, por ter apoiado perseguidos políticos e lutado pelo direito dos trabalhadores. Dom Waldyr teve uma importante atuação nas negociações para o fim da histórica greve dos trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1988, quando três operários foram assassinados pelo Exército. Alagoano da cidade de Murici, se tornou padre em 1948 e chegou a bispo em 1964.

À frente da Diocese Barra do Piraí - Volta Redonda, Dom Waldyr ganhou o apelido de "bispo de sangue" em virtude das lutas, por meio da Igreja, pelos menos favorecidos. Ficou conhecido também por ter feito, por conta própria, mesmo sem autorização de seus superiores, uma “reforma agrária”, distribuindo terras da Igreja Católica para famílias pobres da cidade de Pinheiral, também no Sul do estado.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota lamentando a morte do bispo. "Felizes os mortos, os que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, que eles descansem de suas fadigas, pois suas obras os acompanham" (Ap 14,13). Neste momento de dor, a CNBB manifesta solidariedade à família de Dom Waldyr Calheiros Novaes, à diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda e ao bispo diocesano, Dom Francisco Biasin", diz a nota.

A CNBB destaca em outro ponto do texto: "Em oração, agradecemos o dom da vida e ministério deste nosso irmão que tanto se dedicou à Igreja no Brasil, reafirmamos nossa fé na Ressurreição e a certeza de que ele descansa de suas fadigas, na paz eterna do Senhor, pois suas obras o acompanham".

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia