Complexo do Lins e Camarista Méier ganham UPPs

'Vocês (moradores) não terão mais os problemas que tinham antes, mas isso não significa que não vão ter mais nenhum tipo de problema', afirmou o secretário Beltrame

Por cadu.bruno

Rio - O Complexo do Lins e a comunidade Camarista Méier ganharam nesta segunda-feira Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Ao todo 480 policiais irão patrulhar 18 comunidades das novas UPPs. A cerimônia de inauguração contou com a presença do governador Sérgio Cabral, do vice Luiz Fernando Pezão e do secretário de Segurança José Mariano Beltrame.

"Vocês (moradores) não terão mais os problemas que tinham antes, mas isso não significa que não vão ter mais nenhum tipo de problema", afirmou Beltrame.

O Complexo do Lins está ocupado pelas forças especiais da Polícia Militar desde 6 outubro de 2013. Na ocasião, a ação foi a primeira a receber um reforço da “tropa da paz” com 70 policiais da CPP, já iniciando no período de ocupação o chamado policiamento de proximidade, serviço que só começa após a instalação das UPPs.

Cabral durante inauguração de UPPs nesta segunda-feiraSeverino Silva / Agência O Dia

"Ainda há muito o que fazer? Há. Mas façamos um balanço destes sete anos e veremos o quanto o Rio de Janeiro mudou para melhor. Nós temos só nas UPPs, hoje, um número de PMs maior que a maioria das capitais brasileiras", avaliou Cabral, que chegou 1h30 atrasado para a cerimônia, que estava marcada para começar às 9h.

A UPP Lins contará com o comando do capitão Marlow Rocha, 33 anos, e tem um efetivo de 250 policiais. No Lins, a UPP terá a sede instalada na Rua Dona Francisca, 225 e ainda terá duas bases avançadas: uma na Cachoeirinha e outra no Encontro.

Mais segurança%3A 480 policiais irão patrulhar 18 comunidades das novas UPPsSeverino Silva / Agência O Dia

Já a UPP Camarista Méier contará com 230 militares, sob o comando do tenente, Gustavo Matheus, de 28 anos. A unidade tem sede na Rua Engenheiro Oscar Costa, 740, e terá também três bases avançadas: Outeiro, Morro do Céu Azul e Cachoeira Grande.

Comunidades atendidas

A UPP Lins atenderá as subcomunidades Bacia, Cotia, Amor, Barro Vermelho, Barro Preto, Vila Cabuçu, Dona Francisca, Encontro e Cachoeirinha. Já a UPP Camarista Méier será responsável pelo policiamento das localidades Cachoeira Grande, Santa Terezinha, Nossa Senhora da Guia, Morro do Céu Azul, Pretos Forros, Ouro Preto e Outeiro.

Os 480 policiais das duas UPPs passarão a interagir no cotidiano de aproximadamente 25 mil moradores desses lugares, conforme levantamento feito pelo Instituto Pereira Passos com base no Censo 2010.

Moradores aguardam serviços básicos

Além da polícia, os moradores esperam que serviços básicos que nunca chegaram, enfim, apareçam. Falta de água, esgoto e pavimentação nas ruas de terra são as principais reclamações.

Mas há quem duvide que o saneamento básico na comunidade irá melhorar. Segundo relatam moradores, desde que a polícia ocupou a comunidade Camarista Méier, em 2010, com um destacamento do 3º BPM (Méier), e em outubro desde ano, com a entrada das forças especiais da Polícia Militar, serviços como da Comlurb, Light e Cedae se limitaram apenas à parte baixa da favela.

A região mais alta, conhecida como Ouro Preto, concentra os maiores problemas do Camarista Méier. Segundo o cozinheiro Valdecir Souza Lima, de 47 anos, o que mais incomoda é a falta de luz. Por não ter energia elétrica em casa, Valdecir conta que é necessário fazer ligações clandestinas, que nunca se sustentam. Por isso, sempre falta luz.

“Está chegando o verão e, nesse calor, não podemos nem ligar o ar condicionado porque a rede não aguenta. Nossa ligação é clandestina não por nossa vontade, mas porque a Light não vem aqui. Se instalarem, nós pagamos”, conta o cozinheiro.

O repórter comunitário André Luiz Bezerra também cobra melhorias. Segundo ele, falta interesse político em investir na comunidade. Conforme conta, muitos políticos já foram ao Camarista com suas promessas, mas nada foi feito. “Não acho que algo vá mudar. Acompanho as UPPs e nelas ainda faltam muitos serviços”, contou André.

Sem água, favela cria o ‘bombódromo’

A falta de água é um dos principais problemas da comunidade. Para contornar a situação, os moradores improvisaram. Compraram bombas e canos, que passam próximo do esgoto, para puxar água de um poço artesiano. Apenas quem mora na parte baixa da comunidade possui água encanada.

Moradores da parte mais alta, mesmo pagando IPTU, não têm água em suas torneiras. Eles precisam ligar as bombas a cada três dias para encher as caixas.

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