“Essas pedras (extraídas entre Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais) são raríssimas por possuir um tom verde-água claro, que quase não se encontra mais. As jazidas remanescentes têm pedras com coloração mais escura e alto teor de talco, diferente das pedras do Cristo, que agregam outros tipos de minerais e propriedades excepcionais de resistência ao tempo”, ressalta nota do Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), que autoriza ou reprova intervenções na escultura.
O temor da Mitra Arquidiocesana, que evita o assunto, é que o Cristo tenha que mudar de cor, ficando com tonalidade um pouco mais escura. Este mês uma equipe vai visitar jazidas mineiras. Integram o grupo técnico do Iphan, o engenheiro Clézio Dutra, da empresa Cone Engenharia, que realiza restaurações no polegar e dedo médio da mão direita do Cristo — atingida por raio no dia 22 do mês passado —, e o reitor do Santuário do Cristo Redentor, padre Omar Cardoso.
“Temos estoque para as restaurações atuais. A preocupação é com grandes obras posteriores, como a de 2016”, explica Dutra, ressaltando que sua empresa refez em janeiro o cálculo do número das pequenas peças triangulares de 3x3x4 cm cada uma da estátua. “Antes, achava-se que não passavam de 2 milhões de pedacinhos”, ressalta.
O Padre Omar diz que quer ter certeza sobre a capacidade das reservas. “Temos que pensar no futuro”, admite o sacerdote. Maurício Lima, diretor da empresa WS (World Stone), antiga Ouro Preto Pedra Sabão (OPPS), de Belo Horizonte, que em 1990 forneceu pedra-sabão e mão de obra para uma grande restauração do Cristo, confirma que o tipo especial da chamada ‘pedra do Cristo’ está difícil de ser encontrada. “É uma espécie de tesouro da natureza”.
Material é resistente às temperaturas extremas
A pedra-sabão do Cristo — uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo — foi sugerida pela equipe do engenheiro Heitor da Silva Costa, que projetou a obra. A estátua levou cinco anos para ser concluída, entre 1926 e 1931. Na época, Costa também levou em conta sugestões de franceses especialistas em monumentos.
O tipo de pedra-sabão que até hoje ‘veste’ o Cristo foi escolhida pela cor rara e por sua composição, que a deixa praticamente impenetrável, sem ser afetada por substâncias alcalinas ou ácidas. Outra vantagem: resiste a temperaturas extremas, muito abaixo de zero e até superior a 1.000°C.
Apesar de ser relativamente macia, devido ao alto teor de talco, suporta mudanças atmosféricas por décadas. No caso do Cristo, a 709 metros de altitude, no Morro do Corcovado, desde a década de 30 o material enfrenta poluição do ar, ventanias, sol, chuvas e raios.
Hermínio Nalini, do Laboratório de Geoquímica do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Ouro Preto, atesta que esse tipo de rocha está escassa. “Além disso, existem poucas empresas especializadas em extração e boa parte do material é exportado para países frios, que utilizam o material, refratário, em lareiras, sobretudo”, diz.
Trabalho de devotas




