Por karilayn.areias

Rio - A ativista Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, prestou depoimento na 17° DP (São Cristóvão), no inquérito sobre a morte do cinegrafista Santiago Andrade, morto após ser atingido por um rojão na última quinta-feira, durante manifestação no Centro. Sininho chegou ao local por volta das 14h e negou ter falado sobre o envolvimento do deputado Marcelo Freixo (PSOL) com Caio Silva Souza, acusado de arremessar o artefato no cinegrafista. "Em relação as especulações sobre o Freixo, está tudo esclarecido com o depoimento prestado hoje", declarou ela ao sair da delegacia. 

Também no depoimento, que durou cerca de duas horas, Sininho disse que não conhece Caio e que nunca o viu em manifestações. A ativista chamou atenção pela camiseta que tinha a seguinte frase: 'Favela não se cala'. 

Na saída, a manifestante foi hostilizada por populares e chegou a pedir a ajuda da imprensa para conter um cidadão que se mostrava inconformado com a liberdade dela: "Tem que ir presa!", ele repetia. Passageiros de um ônibus, no qual ela tentou entrar, a hostilizaram e o motorista, assustado com a quantidade de jornalistas e manifestantes solidários à ela, partiu sem abrir as portas."

Ativista Elisa Quadros%2C conhecida como Sininho%2C prestou depoimento na 17° DP (São Cristóvão)Severino Silva / Agência O Dia

Suspeito está foragido

Caio Silva de Souza, 23 anos, é acusado de atirar o rojão que atingiu o cinegrafista da Bandeirantes Santiago Andrade. O rapaz que está sendo indiciado por homicídio doloso qualificado por uso de explosivo é considerado foragido, pois ainda não se apresentou na delegacia responsável pelo caso. 

Segundo a Polícia Civil, Caio tem quatro passagens pela polícia. Os dois primeiros registros ocorreram em 2010, na 53ª DP (Mesquita) e na 56ª DP (Comendador Soares), respectivamente. Na época, ele foi indiciado por tráfico de drogas, mas o inquérito foi arquivado por falta de provas. Já as outras ocorrências são por ter sido vítima de agressão em protesto e um crime de menor potencial ofensivo. 

Fábio Raposo Barbosa, indiciado como co-autor do crime por entregar os explosivos para Caio revelou que o rapaz tem perfil violento. "A intenção dele era ferir ou matar os policiais. Infelizmente, o Santiago foi colocado na linha de tiro”, disse o delegado da 17ª DP, Maurício Luciano. O tatuador foi preso, no início da manhã deste domingo na casa de seus pais, no Recreio dos Bandeirantes, após ter a prisão preventiva decretada.

'Filhos de papais mimados', diz Paes sobre suspeitos

Mais cedo, o prefeito Eduardo Paes se manifestou sobre o caso durante a cerimônia de inauguração de um Espaço de Desenvolvimento Infantil (Edi), em Realengo, na Zona Oeste do Rio. "São filhos de papais mimados. Eles precisam ficar na cadeia por muito tempo. Precisamos é de menos impunidade no Brasil e no Rio de Janeiro. Protesto faz parte, o que não pode acontecer é sair atacando os outros com violência", disse ele. 

Em nota, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República também se manifestou, nesta terça-feira, comunicando seu pesar diante da morte do cinegrafista. Segundo a secretaria, este caso infelizmente simboliza de forma trágica a sistemática violência contra profissionais de comunicação que atuam na cobertura de manifestações












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