Rio - O delegado-titular da 96ª DP (Miguel Pereira), Murilo Silva Montanha, descartou nesta sexta-feira que o assassinato do jornalista Pedro Palma, de 47 anos, quinta-feira, naquela cidade do Sul-Fluminense, tenha ocorrido durante tentativa de assalto, porque nada foi levado da vítima. Pedro, segundo familiares e amigos, denunciava com frequência supostas irregularidades nas prefeituras da região.
“É prematuro dizer se o crime teve motivação política. Mas vamos investigar para saber quem estava sendo atingido pelas denúncias do jornal”, disse o delegado, que vai ouvir na próxima semana familiares e colegas de trabalho do jornalista. Imagens das câmeras de segurança da casa de Pedro Palma também serão analisadas. Parentes do jornalista disseram que ele vinha recebendo ameaças por causa de reportagens do jornal ‘Panorama Regional’, cuja publicação é semanal.
Nesta sexta-feira, o corpo de Pedro Palma foi sepultado na cidade vizinha de Paty do Alferes. Ele foi morto a tiros na quinta-feira à noite por dois homens que estavam em um moto. Ele foi baleado quando chegava em casa, no distrito de Governador Portela, e, segundo policiais, na presença da filha. Os criminosos, que usavam capacetes, fugiram. Até ontem à noite não havia informações sobre a identidade dos criminosos.
No dia em que foi assassinado, havia ido para as bancas a edição semanal do jornal ‘Panorama Regional’ com denúncias sobre suposto desvio de verbas públicas nas prefeituras da região. Em outras edições do periódico, o jornalista denunciou fechamento de escolas, abandono de posto de saúde e falta de verba para a Apae da região.
O jornal, que circulava em dez municípios fluminenses, também era conhecido por publicar reportagens de crimes contra policiais e bandidos. Esse foi o segundo caso envolvendo a morte de um jornalista em uma semana. Na quinta-feira da semana passada, o cinegrafista Santiago Andrade, da Band, foi atingido por rojão na cabeça, na Central do Brasil, e morreu quatro dias depois.
Associação cobra apuração rápida e rigorosa para o assassinato
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenou o assassinato e cobrou apuração rápida e rigorosa. “A intenção dos criminosos era interromper o trabalho jornalístico de Pedro”, disse a associação que considerou o crime como atentado à liberdade de imprensa e um ataque ao direito à informação. A Abraji espera que mandantes sejam julgados.
“A impunidade pode encorajar novos ataques à imprensa e aos jornalistas”, afirmou. Nos últimos cinco anos, pelo menos quatro jornalistas foram assassinados no interior do estado. Além de Pedro Palma, foram mortos José Rubem Pontes, diretor do jornal ‘Entre-Rios’, em Paraíba do Sul, Randolpho Marques, dono do online ‘Vassouras na Net’, e Valério Nascimento, diretor do jornal “Panorama Geral”, em Rio Claro.




