Por bianca.lobianco

Rio - Policiais da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) prenderam, na tarde desta segunda-feira, Peterson Pereira de Souza, 36, envolvido na morte do cabo do Bope, Sidney Simão Dias, morto a tiros, no dia 2 deste mês, em Nova Iguaçu. Peterson se entregou na delegacia e vai responder pelos crimes de homicídio qualificado e furto qualificado. Os outros dois envolvidos no caso são Aníbal João Valente Júnior, que efetuou os disparos e Lucas de Souza Cândido, que encontra-se foragido.

Peterson Pereira de Souza%2C de 36 anos%2C estava foragido e foi preso nesta segunda-feiraDivulgação Polícia Civil

Na última sexta-feira a polícia prendeu Aníbal, o autor dos disparos. Ele estava escondido em um hotel na Barra da Tijuca e se entregou quando percebeu que o cerco estava se fechando. A polícia já havia ido a 9 endereços em diversos pontos do Rio. 

De acordo com o delegado, Lucas havia atropelado um idoso e não parou para prestar socorro. O policial viu a cena e o perseguiu até um posto de gasolina, exigindo que ele prestasse socorro. Aníbal estava no local junto com Peterson, quando viu o jovem sendo abordado pelo policial do Bope. Segundo Medina, Lucas é amigo do filho do assassino.

Acusado de assassinar PM do Bope%2C Aníbal João Valente Júnior foi preso na Zona OesteIvan Teixeira / Hora H / Agência O Dia

O delegado afirmou que Aníbal apontou a arma para Sidney, que teria se identificado como policial do Bope. Mesmo a vítima se apresentando, Lucas incitou que Aníbal matasse o PM."Mata, mata, eles estão querendo me roubar. Não é policial nada", disse o jovem de 19 anos. Após efetuar os disparos, Aníbal pegou a arma da vítima e Peterson roubou o dinheiro que estava na carteira. Em seguida, Peterson tentou se livrar do objeto. Dos cinco disparos efetuados, um atingiu um poste e por pouco não acertou um padeiro que também perseguia Lucas para que ele prestasse o devido socorro à pessoa atropelada.

"Mesmo o policial se identificando, o Aníbal não teve piedade e atirou a sangue frio. O Lucas é co-autor e influenciou o Aníbal a atirar", disse Pedro Medina. Anibal responderá pelo crime de homicídio qualificado, em relação a Sidnei, e homicídio tentado, em relação ao funcionário da padaria. Lucas e Peterson, que estão sendo procurados, responderão por participação no homicídio. Anibal e Peterson responderão, ainda, por furto qualificado. As fotos dos foragidos também foram divulgadas.

Lucas de Souza Cândido, de 19 anos%2C é acusado de ser co-autor do crimeDivulgação Polícia Civil

Vídeo mostra dinâmica do crime

Câmeras do posto de gasolina onde o policial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Sidney Simão foi assassinado flagaram o momento da execução ocorrida na manhã do dia 2, em Nova Iguaçu. As imagens foram cedidas na sexta-feira pela Polícia Civil. Na sequência é possível ver a perseguição entre o PM e Lucas de Souza Cândido, de 19 anos. Do outro lado da rua, o assassino Aníbal João Valente Júnior, que estava no posto junto com Peterson Pereira de Souza, de 36, sai em disparada para checar o que estava acontecendo. Ele atravessa a rua e dá um tiro no chão. O policial joga a arma para o chão e se identifica, mas Lucas afirma que ele não é PM e diz que Simão estava querendo lhe assaltar, incitando o crime. Há uma rápida discussão e Aníbal efetua os disparos, a sangue frio, segundo o delegado Pedro Medina, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense. 

Depois da execução, Aníbal e os outros voltam para o posto. Peterson confere a carteira do PM, constata que ele é realmente do Bope, rouba o dinheiro e tenta se livra do objeto. Em seguida, todos eles fogem. As fotos dos foragidos também foram divulgadas.

'Meu irmão foi morto porque foi confundido com um ladrão'

O irmão da vítima, o locutor Flávio Simão, de 41 anos, afirmou que a ex-esposa de Aníbal foi até a delegacia e pediu perdão à família do policial morto. "Ela se ajoelhou e me pediu perdão. Disse que não era a intenção do ex-marido. Ela afirma que ele agiu de cabeça quente. Aceitei o perdão dela, mas não do Aníbal, que executou meu irmão primeiro, para depois perguntar se ele era policial". Muito abalado, Flávio acrescentou: "Meu irmão foi morto porque foi confundido com um ladrão e também por ser negro, estamos arrasados".

Sidnei Dias Simão era policial do Bope e trabalhava como segurança de José JuniorReprodução

José Júnior divulga carta sobre a morte de seu segurança

Ainda abalado pela morte do seu segurança e amigo, José Junior, coordenador da ONG do AfroReggae, divulgou um texto que expressa a dor deste momento que está vivendo. Confira na íntegra.

Choro por um cara do Bope

Já chorei pela perda de muitas pessoas: parentes, amigos, artistas, ídolos, pessoas que nunca vi, mas nunca antes chorei por um policial do Bope. Muito abalado,

Descobri que as lágrimas e a dor são as mesmas. O vácuo que fica é igual ao de qualquer pessoa que parte e deixa saudades. Engraçado que as pessoas parecem achar normal um cara, por se vestir de preto, ser morto. É como se fosse normal elas terem uma certa insensibilidade. Talvez eu também achasse, há dez anos, mas, nesses últimos cinco dias, a nossa instituição, nossa equipe de segurança e a Core estamos muito entristecidos. Devo ressaltar que todos, inclusive aqueles que foram da "vida errada", estão arrasados com a perda do nosso amigo e irmão.

Simão, ou melhor, Neném - como a sua mãe gosta de chamá-lo - era um excepcional filho/irmão/pai/noivo/amigo/policial e o último item era segurança do "José Junior". Não vamos dar valor a esse item, porque ele era muito mais do que meu segurança.

As imagens que eu vi, e que provavelmente serão divulgadas, são de uma covardia e maldade absurdas. O que fizeram ao Cabo Sidnei Dias Simão irá chocar aqueles que amam o próximo e respeitam os Direitos Humanos. Nosso amigo rastejou pra viver. Ele morreu na sua hora de folga, para ajudar um idoso. Simão, para mim, é um herói! Um cara inesquecível que vou carregar para o resto da minha vida como Vladmir, Bigu, Evandro, Rafael e tantos outros.

Quem diria que um dia “o cara" do AfroReggae iria chorar por um caveira. Pois é, esse dia chegou há cinco dias, e desde então ele não para de chorar.

As crianças mais novas perguntaram por você e eu disse que agora você estava cuidando da gente lá do céu.

Do amigo de hoje e sempre,

José Junior.



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