Vereadores colhem assinaturas para pedir CPI contra Rodrigo Bethlem

Parlamentares querem investigação para apurar os gastos do Fundo Municipal de Assistência Social

Por O Dia

Rio - Seis vereadores decidiram, na tarde desta terça-feira, que vão buscar assinaturas na Câmara Municipal para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar as denúncias de corrupção envolvendo o deputado federal Rodrigo Bethlem. Tereza Bergher, Paulo Pinheiro, Jefferson Moura, Márcio Garcia, Brizola Neto e Eliomar Coelho querem uma investigação para apurar como serão gastos o Fundo Municipal de Assistência Social.

Os parlamentares Reimont e Renato Cinco também declaram apoio à instalação da CPI, que precisa de 17 assinaturas para ser validada. Os vereadores também vão formular uma ação popular para que a justiça investigue todas as informações veiculadas na impresa sobre os contratos da Secretaria de Desenvolvimento Social e sobre a relação de Bethlem com o empresário Jacob Barata, o 'Rei dos Ônibus'. Eles também farão uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) porque entendem que nos contratos da ONG Tesloo, há recursos federais. O Cadastro Único, por exemplo, recebe verba de R$ 9 milhões do governo federal.

No sábado%2C o prefeito Eduardo Paes afirmou que Rodrigo Bethlem (foto) 'deve uma satisfação para a sociedade'Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Os vereadores revelaram que vão ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pedir A impugnação da campanha de Rodrigo Bethlem, com julgamento do atual mandato.

MP quer depoimento de Bethlem e vice-prefeito

A promotora Glaucia Santana, da 5ª Promotoria de Tutela Coletiva do Ministério Público, vai convocar o deputado feral Rodrigo Bethlem e o vice-prefeito do Rio, Adilson Pires, para prestar depoimento sobre a investigação que tramita no órgão, desde o ano passado, a respeito de um dos contratos da prefeitura com a Tesloo. Adilson, que também é secretário de Desenvolvimento Social — antiga pasta de Bethlem — será convocado para apresentar os outros cinco contratos da ONG com a secretaria.

“Já fiz três ofícios à prefeitura solicitando os documentos e não obtive resposta”, criticou a promotora. Já Rodrigo terá que esclarecer detalhes da conversa que teve com sua ex-mulher, em que declarava ter recebido propina da Tesloo.

Na investigação do MP, o terceiro termo aditivo do convênio referente ao programa de atenção especializada a criança e adolescente usuário de crack, celebrado em 2011, é o que mais chama a atenção da Promotoria. Na época, Bethlem duplicou a verba do convênio, com acréscimo de mais de R$ 3 milhões, totalizando R$ 7.556 milhões, justificando-o como aumento de mais 160 vagas. Nesse termo, o ex-secretário também modificou a forma de pagamento de trimestral para mensal.

Na ocasião, a Procuradoria-Geral do Município sugeriu que houvesse autorização do prefeito para um novo termo, mas o ex-secretário ignorou e assumiu o novo contrato. “O termo aditivo já era ilegal porque fere a Lei 8.666, em que apenas é autorizado o aumento de 25% do convênio”, explicou Glaucia.

Ex-mulher denuncia 'caixa 2'

Depois de acusar o ex-marido, o deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB) de desviar recursos de contratos da prefeitura, a empresária Vanessa Felippe fez nova denúncia que complica ainda mais a situação do parlamentar. Segundo gravações obtidas pela revista ‘Época’, Bethlem teria mantido ‘caixa 2’ com dinheiro do ‘Rei do Ônibus’, como é conhecido o empresário Jacob Barata, para financiar sua campanha política.

Em troca, ele admite em conversa gravada pela ex-mulher e entregue à ‘Época’ que atrasou sessões e retirou projetos de votação, quando era vereador, entre 2001 e 2004, para beneficiar empresas de ônibus. Em nota, o empresário disse que nunca fez contribuição pessoal ou institucional para o deputado.

Em um trecho da discussão, gravada em 2011, entre o casal que estava acertando detalhes do divórcio, Vanessa diz que ajudou a levantar dinheiro para a campanha do então marido: “Eu te ajudei com dinheiro, em todas elas (campanhas). Fosse através do Jacob, fosse através do meu pai”, disse, se referindo ao presidente da Câmara de Vereadores do Rio, Jorge Felippe (PMDB).

O ex-secretário de Ordem Pública não nega as declarações de Vanessa e acrescenta que serviu aos interesses do empresário.“Eu fui muito útil pra esse cara na Câmara. Não foi pouco não, muito. Eu derrubei sessão, eu tirei projeto...”, confessou Bethlem. Ainda segundo ‘Época’, a empresária entregou anotações à revista que seriam de doadores de campanha. Em um dos papéis, consta a menção a ‘40 ônibus’ e ‘200 Jaco’, que seriam de contribuições do empresário à campanha de Bethlem.

Ao ser questionado sobre as acusações de Vanessa, o deputado afirmou que defendeu projetos na Câmara Municipal que “avaliava como certos”, sem privilegiar o ‘Rei do Ônibus’. Bethlem apresentou atestados para provar que a ex-mulher sofre de problemas psiquiátricos. Ontem, o deputado era esperado em um evento do Conselho Regional de Serviço Social e não apareceu.

A repercussão em torno das outras gravações divulgadas por Vanessa, em que Bethlem confessa ter recebido propina da ONG Tesloo, enquanto era secretário de Desenvolvimento Social, ganhou novo capítulo ontem. O vereador Jefferson Moura (Psol) entrará com denúncia esta semana no Ministério Público Federal, sobre contratos de Bethlem com a ONG. Já o deputado federal Chico Alencar (Psol) denunciará o ex-secretário à Corregedoria da Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar.

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