Por daniela.lima

Rio - Diz a crendice popular que agosto é o mês do cachorro louco. A má fama estaria relacionada ao período do ano em que as cadelas entram no cio e “enlouquecem” os cães que se enfrentam para conquistar a fêmea. Acredita-se que, nessa luta, multiplicam-se os casos de raiva, doença transmitida pela saliva do animal infectado. Os bichos contaminados salivam muito (babam) e ficam com aparência de loucos, o que teria originado a lenda. 

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Verdade ou mito, o fato é que este mês começa a temporada anual de vacinação contra a doença. No entanto, o contágio ocorre em qualquer época do ano. O Ministério da Saúde já prepara a campanha nacional. As doses serão repassadas aos estados e municípios. A previsão é imunizar cerca de 29 milhões de cães e gatos em todo o país. 

A raiva é uma doença incurável, portanto, é muito importante que a vacinação esteja em dia, pois é a única forma de prevenir a enfermidade que é transmitida ao homem por mordida, lambida ou arranhão de um animal infectado, principalmente cães, gatos, saguis e morcegos. Animais devem ser protegidos a partir dos três meses de vida.

A raiva compromete o sistema nervoso do homem, quando contaminado. “Qualquer pessoa que tenha sido atacada por um animal, mesmo sem saber se está vacinado, deve procurar atendimento médico imediatamente para avaliação e tratamento”, alerta a médica veterinária Amélia Margarido, da Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal (Arca Brasil).

No município do Rio, a doença está controlada há 25 anos. Em 2010, a campanha de vacinação foi suspensa em todo o país, depois de mortes e reações adversas em cães e gatos que haviam sido vacinados, principalmente no Rio e em São Paulo. O governo federal proibiu o uso da vacina fabricada por um dos laboratórios, determinando o recolhimento das doses restantes.

Para serem imunizados, cães devem estar com coleira e guia. Os gatos precisam ser levados em sacolas de pano ou em gaiolas apropriadas. Em animais com temperamento agressivo, é obrigatório o uso da focinheira. É comum o animal apresentar febre, dores no local, 36 horas após a aplicação.

As datas das campanha Rio Sem Raiva não foram definidas. Porém, a vacinação é feita o ano todo, gratuitamente, na Unidade de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, na Avenida Bartolomeu de Gusmão 1.120, em São Cristóvão. Informações no site www.rio.rj.gov.br/web/sms. CUIDADOS

A raiva é uma doença contagiosa e letal, causada por um vírus que afeta tanto os animais quanto o homem.

Nem toda mordida transmite a doença. Para haver a transmissão, é necessário que o animal agressor tenha o vírus na saliva. No meio rural, o morcego hematófago — que se alimenta de sangue — é um dos mais importantes transmissores.

O animal infectado muda o comportamento: passa a se esconder ou agir de maneira diferente do usual; fica agressivo, saliva em excesso. Às vezes, parece que está engasgado. Também podem acorrer prostração, falta de apetite e paralisia das patas traseiras. No homem, a raiva é fatal.

Leve seu animal de estimação para passear com guia ou coleira, evitando assim que ele morda alguém.

Mantenha em observação por dez dias o animal que morder, agredir ou atacar alguém.

Procure com urgência o serviço de saúde do seu município sempre que ocorrer uma mordida, agressão ou acidente envolvendo um animal.

Reforço na alimentação

Animais bem nutridos apresentam uma resposta mais adequada à vacinação. Um alimento adequado para a faixa etária, o porte, a raça e o nível de atividade física são fundamentais para garantir a boa imunidade e a saúde de cães e gatos.

“Em casos de desnutrição, o primeiro sistema do organismo afetado é justamente o imunológico”, explica a médica veterinária da PremieR pet Keila Regina de Godoy. Segundo ela, a atenção com o sistema imunológico de cães e gatos deve ser redobrada nos primeiros meses de vida e na velhice. “Filhotes com apenas dias de vida possuem sistema de defesa imaturo, enquanto nos idosos algumas células tornam-se menos ativas, o que pode deixá-los mais vulneráveis a doenças e infecções”, esclarece.

Além disso, ela diz que qualquer alteração no estado do animal, como uma virose ou exercício físico intenso, pode gerar queda de imunidade.


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