Pai de Luiz Antonio nega envolvimento com milícia e confirma roubo de carro

Em depoimento de três horas na Draco, Luiz Carlos deu a mesma versão do jogador do Flamengo

Por paloma.savedra

Rio - Em depoimento que durou pelo menos três horas na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), na Central do Brasil, Luiz Carlos Francisco Soares, pai do jogador rubro-negro Luiz Antonio de Souza Soares, 23 anos, negou qualquer envolvimento dele e do filho com a milícia Liga da Justiça. Ele confirmou ainda a versão do meio-campo do Flamengo, de que o carro (um Ford Edge V6) que teria sido doado a Marcos José de Lima Gomes, o Gão, considerado o chefe da quadrilha, foi roubado.

“Com certeza, eu fui assaltado. Eu e meu filho não temos envolvimento nenhum com milícia”, afirmou Luiz Carlos, sem entrar em detalhes de como aconteceu o roubo do carro, que teria sido levado, conforme o registro na 42ª DP (Recreio), por dois homens numa moto, usando capacetes e armados com pistolas. "Eles (os bandidos) foram violentos”, limitou-se a dizer. Soares, a exemplo de Luiz Antônio, admitiu conhecer Alexander, mas negou contato ‘mais estreito’ com o policial. “Ele é meu conhecido, só isso”, ressaltou, ao deixar a delegacia, acompanhado de advogados.

Leia mais: Luiz Antonio nega ter dado carro a policial 

Leia mais: Artistas e atletas na mira da polícia por suposta ligação com milícia

Pai do jogador do Flamengo%2C Luiz Carlos prestou depoimento de três horas e negou envolvimento dele e do filho%2C Luiz Antonio%2C com a milícia Liga da JustiçaFernando Souza / Agência O Dia

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança informou que não pode revelar o teor do depoimento para não interferir nas investigações. Luiz Antonio prestou um depoimento de quase duas horas na Draco nesta quinta-feira. Ele também disse conhecer o policial civil que fez o registro, mas negou ser irmão de criação de Sérgio Preto. 

Se for necessário, Luiz Antônio e seu pai podem ser convocados novamente para prestar novos esclarecimentos. A aceração entre os dois não está descartada. Nesta sexta-feira, Luiz Antônio treinou à tarde, separado da equipe, que se preparou de manhã para enfrentar o Coritiba pelo Campeonato Brasileiro no domingo, no Estádio Couto Pereira. Os jogadores do Flamengo evitaram comentar a polêmica envolvendo o atleta.

Jogador é suspeito de ter dado golpe do seguro

De acordo com as investigações, Luiz Antonio é suspeito de ter presenteado Gão com o Ford Edge V6, avaliado em R$ 130 mil. O miliciano foi preso no último dia 5, apontado como um dos chefes da Liga da Justiça, quadrilha com forte atuação na Zona Oeste, e acusada de torturar e extorquir moradores da região.

O jogador também está sendo investigado por estelionato, pois, segundo o delegado da Draco, Alexandre Capote, teria dado o chamado ‘golpe do seguro’. Capote disse que no decorrer do inquérito, se houver indício de envolvimento de Luiz Antônio com milicianos, ele poderá responder também por formação de quadrilha e o pai dele, por falsa comunicação de roubo.

Suspeito de envolvimento com a milícia, Luiz Antonio prestou depoimento na sede da Draco na quinta-feira e negou ter presenteado chefe da milícia Liga da JustiçaFoto%3A Carlos Moraes / Agência O Dia

No dia 11 de janeiro deste ano, mesmo dia em que, conforme a polícia, Luiz Antônio teria dado o carro a Gão, o pai do jogador, Luiz Carlos Francisco Soares, registrou o suposto roubo do automóvel na 42ª DP (Recreio). O boletim de ocorrência foi feito pelo policial civil Alexander da Rocha Antunes, o Sérgio Preto, que se dizia irmão de criação do atleta, e que foi preso por envolvimento com o bando. O apoiador sustentou a versão de roubo.

“Meu carro foi roubado com meu pai dentro, por isso acionei o seguro”, argumentou Luiz Antônio, admitindo que conhece Antunes. “Eu andava com ele, que se apresentava como meu irmão de criação. Mas não conhecia essa outra face dele (se referindo à ligação do policial com a Liga da Justiça). Nunca ia acreditar que um policial civil da ativa estivesse no meio disso. Estamos (ele e o pai) sendo acusados de uma coisa que a gente não fez. Nunca tive ligação nenhuma com milícia”, garantiu, ao deixar a sede da Draco, na Central do Brasil, onde jornalistas, torcedores e curiosos se concentraram.


Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia