Leiteria Mineira está prestes a se tornar patrimônio cultural

Casa no Centro tem quase 100 anos fundação

Por O Dia

Rio - Mingau, coalhada, cremogema e arroz doce. São apenas algumas das receitas servidas pela última leiteria da cidade, que resiste entre os restaurantes a quilo e lanchonetes do Centro. Quase cem anos após sua fundação, a casa pode entrar na lista para se tornar patrimônio cultural da cidade. Situada no encontro da Avenida Rio Branco com a Rua da Ajuda, a Leiteria Mineira guarda o clima da época em que o carioca andava pelo Rio de paletó, gravata e chapéu. A madeira escura no interior e os lustres do início do século parecem os mesmos dos antigos retratos que decoram as paredes em preto e branco.

Muita história se passou por ali. “O negócio do Moreira da Silva era Ricota. Já o Gonzagão era chegado em coalhada e queijo minas”, contou o garçom José Feitosa, que trabalha há 52 anos no restaurante. Conhecido como Zé, ele começou trabalhando na queijaria da casa, onde servia artistas e políticos influentes. “Havia um charme e a gente era muito próximo do cliente. Mas mantemos a tradição, aqui parece que estamos em outro tempo”, disse, antes de ser interrompido por um cliente contando vantagem pela vitória de seu time no jogo da véspera.

José Gomes%2C chefe da copa%2C trabalha há décadas na Leiteria Mineira%3A muitas histórias para contar sobre a casaAlexandre Brum / Agência O Dia

O carro chefe da casa é a dobradinha de quarta e a rabada de sexta-feira. Além do cardápio, uma das maiores tradições do local é o bom serviço. “Eles não exageram no tempero e os pratos chegam em muito pouco tempo”, elogiou o advogado Jorge Cavalcanti, de 53 anos. “Os garçons têm um tratamento diferenciado com o cliente, como hoje em dia é difícil ver por aí”, afirmou.

Não se sabe ao certo a data de fundação, mas o registro de funcionário mais antigo data de 1916. “A leiteria foi criada porque os produtores de leite não tinham onde armazenar a produção excedente, então criaram o restaurante”, disse João Alberto da Costa, de 52 anos, que herdou a sociedade do estabelecimento do pai. “Já mudamos de local três vezes mas sempre respeitamos a tradição. Somos a única leiteria ainda em funcionamento”.

Desde 2013, a prefeitura criou uma nova categoria de patrimônio imaterial: a atividade econômica notável. Nove negócios da Rua da Carioca, como o Bar Luiz, já foram listados. Agora outros estabelecimentos tradicionais da cidade serão selecionados.

Reportagem de Lucas Gayoso

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