Por thiago.antunes

Rio - O delegado titular da Delegacia do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Dairj), Rodrigo Freitas, afirmou, na noite desta terça-feira, que a quadrilha responsável por clonar cartões através de um dispositivo bluetooth mudou a rotina de falsificação. "Eles mudaram a rotina de fraudes para além do Rio", afirmou Freitas.

Os agentes da Dairj destrincharam uma ação "sofisticada" e prenderam oito suspeitos de envolvimento no crime. Neste mesmo período, os criminosos movimentaram mais de R$ 3,5 milhões em compras de mercadorias e saques. Nesta terça-feira, oito pessoas foram presas e 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Foram apreendidos dezenas de máquinas de cartão de crédito e débito, relógios, cartões, além de impressoras.

Polícia acredita que quadrilha carioca é pioneira no mundo na clonagem a partir da transmissão de dadosFernando Souza / Agência O Dia

De acordo com Rodrigo Freitas, os principais alvos dos criminosos eram turistas, pois a ação deles ocorria principalmente nas madrugadas de terças e quintas-feiras no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão). Estes são os dias de desembarque de voos fora do país.

O golpe de estrutura complexa envolvia pelo menos cinco estabelecimentos comerciais, alguns localizados em shoppings, funcionários da segurança do aeroporto, garçons de grandes restaurantes, entre outros. O uso da trasmissão de dados através do bluetooth para captar informações dos cartões é uma novidade para a polícia. "A gente nunca teve contato com esse tipo de metodologia. Temos indícios fortíssimos de que essa quadrilha conseguiu pela primeira vez no mundo captar os dados do chip do cartão de crédito", detalhou o diretor do Departamento Geral de Policia Especializada, André Drumond.

Quadrilha movimentou R%243%2C5 milhões em oito meses%3B criminosos clonavam cartões por meio de bluetoothFernando Souza / Agência O Dia

Os chefes da quadrilha são dois irmãos gêmeos: André e Bruno Alves da Silva. André é considerado o "cabeça", pois é o detentor das senhas dos dispositivos. Ele atua nos bastidores e não vincula nada ao próprio nome. Bruno é seu braço direito, responsável por transmitir as ordens do irmão a todos os integrantes da quadrilha. Bruno foi preso, mas André segue foragido.

Quadrilaha operava nos caixas do Galeão

A quadrilha operava principalmente nos caixas eletrônicos do Galeão e usando máquinas de pagamento com cartão de crédito em restaurantes e outros comércios. Nos caixas, era preciso que um agente facilitador fizesse "vista grossa" para a instalação do coletor de dados antes dos dias de desembarque internacional. Os caixas "infectados" armazenavam os dados dos cartões das vítimas.

Com um laptop, os criminosos conseguiam pegar estes dados com um aplicativo por eles desenvolvido usando a transmissão via bluetooth. Depois disso, eles produziam novos cartões (com os nomes dos envolvidos) e compravam imóveis, carros e mercadorias variadas, além de efetuar saques.

Operação da Polícia Civil contra uma quadrilha que clonava cartões de crédito recebe o apoio de helicópteros na RocinhaDivulgação / Agência Brasil

No caso das máquinas de cartão de crédito, eles necessitavam também do apoio de algum funcionário do estabelecimento. "Na via do estabelecimento existe uma autenticação da máquina e o número do estabelecimento. Com essas informações eles conseguem criar uma outra máquina com a mesma codificação. O garçom faz a troca, a vítima insere o cartão e os dados são captados e com esses dados é feito outro cartão pronto para o uso", explicou Freitas.

Com este cartão, além da compra de mercadorias, eles proviam ainda "serviços fictícios". Nestes, a maquininha simula a venda de algum serviço e os cartões clonados realizam um pagamento que cai direto na conta dos criminosos.

Ação na Rocinha

Um suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas foi morto durante as buscas da Operação Caixa Preta na Favela da Rocinha. Os agentes da Dairj foram recebidos a tiros quando chegaram à comunidade e Fernando Souza Lima, o Nando PT, foi baleado. Ele foi levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos.

O helicóptero que dava apoio na operação foi alvo de tiros por parte dos traficantes, mas nenhum policial ficou ferido. Por conta do confronto, uma escola da rede municipal não abriu as portas nesta terça e 496 alunos não tiveram aulas.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, outras quatro escolas, duas creches e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) tiveram baixa frequência por conta do novo episódio de violência. Já a Secretaria de Estado de Educação afirmou que todas as unidades funcionaram normalmente na região.

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