Polícia abre inquérito para apurar invasão de conjunto habitacional

Homens armados tomaram conta, no último domingo, de um condomínio do 'Minha Casa, Minha Vida' em Guadalupe

Por paulo.gomes

Rio - Policiais da 31ªDP (Ricardo de Albuquerque) instauraram um inquérito para apurarem mais uma ação ousada dos criminosos. No último domingo, traficantes armados comandaram a invasão de cerca de 200 pessoas a um conjunto habitacional do programa "Minha Casa, Minha Vida", em Guadalupe, na Zona Norte. O condomínio abrigaria aproximadamente 240 famílias inscritas no programa social.

O condomínio do programa social 'Minha Casa%2C Minha Vida'%2C em Guadalupe%2C na Zona Norte%2C tem 11 edifícios e foi invadido no último domingo por bandidos armadosCarlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, o engenheiro responsável pela obra e o vigilante do local foram intimados. Além disso, o presidente da associação de moradores também será chamado para prestar depoimento na delegacia.

A Prefeitura do Rio afirmou que solicitou o apoio das forças de segurança para a retirada dos invasores e a reintegração dos imóveis. O comandante do 41ºBPM (Irajá), tenente coronel Luiz Carlos Leal Gomes, está no condomínio, acompanhado do representante da Secretaria Municipal de Habitação e Administrador Regional. Eles estão negociando com os invasores a saída do local.

Imóveis seriam entregues em breve aos beneficiados

Em nota, a Caixa Econômica Federal, responsável pelo financiamento, afirmou que acionou o Ministério da Justiça para que seja feito algo para evitar ações de bandidos nos programas habitacionais do Governo Federal. Além disso, o banco vai solicitar a reintegração de posse dos imóveis, com o objetivo de garantir o direito das famílias beneficiadas com o programa.

Ainda segundo a Caixa, as obras do condomínio já estão concluídas e o "habite-se", documento emitido que comprova que o imóvel foi construído seguindo as exigências, foi emitido no último dia 23 de outubro.

Um bandido armado com fuzil circula livremente por uma das ruas do conjunto habitacional invadidoReprodução

Em agosto, uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e do Ministério Público desarticulou uma quadrilha de milicianos que faturavam pelo menos R$ 1 milhão por mês com alugueis e vendas de imóveis do programa “Minha Casa, Minha Vida”, lesando cerca de 5 mil pessoas.

Cerca de 1.600 unidades foram "tomadas" pelos milicianos de seus proprietários em seis condomínios na Zona Oeste. Os imóveis eram revendidos pelo valor de R$ 50 mil e os donos dos apartamentos, muitas vezes, eram obrigados a continuarem a fazer o pagamento do financiamento sob ameaças de morte.

Área dominada pelo tráfico

Imagens aéreas feitas ontem pela Rede Globo e divulgadas no informativo RJTV mostraram que o conjunto habitacional em Guadalupe se tornou uma área completamente dominada pelo poder paralelo. Na tarde de nesta terça, foram feitos flagrantes de um dos bandidos circulando carregando um fuzil em meio a invasores — entre eles muitas crianças que brincavam alheias à violência ao seu redor — numa das ruas.

O conjunto habitacional está localizado em uma das áreas mais violentas da cidade, dentro do Complexo do Chapadão, um conjunto de 13 favelas situado em quatro bairros: Pavuna, Costa Barros, Anchieta e Guadalupe.

Há duas semanas, uma operação conjunta das polícias civil e militar, que contou com um efetivo de quase 300 policiais do Bope, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Ações com Cães, da Core, e da delegacias de Roubos e Furtos e de Combate às drogas, em oito veículos blindados, prendeu 15 pessoas.

Na operação foram apreendidos quatro fuzis, uma réplica de arma, quatro pistolas, três coletes à prova de balas e 100 quilos de maconha. A polícia ainda recuperou 11 veículos roubados, sendo dez carros e uma moto.

Armas até na piscina da Vila Olímpica

A força do poder paralelo na região ganhou as manchetes em outubro, quando a polícia civil divulgou imagens de uma investigação que mostrava bandidos armados na piscina da Vila Olímpica Felix Mielli Venerando, inaugurada em 2012 em Honório Gurgel e batizada com o nome do ex-goleiro do Fluminense e tricampeão mundial com a Seleção Brasileira, em 70. A Secretaria Municipal de Esporte e Lazer admitiu que o local, destinado a formar talentos para a Olimpíada de 2016, era usado por bandidos.

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