Rio - O bairro do Engenho de Dentro está ganhando novos ares, para fazer bonito nas Olimpíadas de 2016. A Prefeitura do Rio já iniciou obras de revitalização nos arredores do Estádio do Engenhão para remodelar o local. Batizado de Passeio Olímpico, o projeto prevê a construção da maior área pública do Grande Méier, pavimentação de 34 ruas e melhorias urbanísticas no bairro — que ganhará uma ciclovia e mais árvores para amenizar o clima.
Com orçamento de R$ 115,7 milhões, o projeto tem como maior objetivo a construção da Praça do Trem, uma área livre de 35 mil metros quadrados. O local será o principal meio de acesso ao Engenhão durante os Jogos Olímpicos do Rio. Uma obra, cujo projeto foi elaborado por técnicos do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, vai para reformar dois antigos galpões ferroviários e um prédio administrativo — que são tombados na esfera municipal de proteção ao patrimônio histórico e cultural da cidade do Rio de Janeiro.
“A ideia é que esta área se torne um grande ponto de encontro. Todas estas ações de requalificação do Engenho de Dentro fazem parte de um esforço para revitalizar este bairro tão emblemático do Subúrbio carioca, que passou décadas no ostracismo”, disse o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto.
As principais intervenções estão sendo feitas nas quatro ruas que rodeiam o estádio: José dos Reis, Oficina, Arquias Cordeiro e Doutro Padilha. Nessas vias, será instalado novo sistema de iluminação, com lâmpadas de LED e fiação subterrânea. O Secretaria municipal de Obras (SMO) informou que serão plantadas dezenas de árvores no local, para tentar melhorar as condições climáticas do bairro. Além disso, será construída uma ciclovia no entorno do estádio.
Outras 34 ruas da região também estão recebendo obras, através do programa Bairro Maravilha Norte. Segundo a SMO, 15% de pavimentação asfáltica, nivelamento e sinalização já estão prontos. Ao todo serão 99,1 mil m² asfaltados e 71,4 mil metros de calçadas concretadas; além da construção de 241 rampas de acessibilidade. A previsão é que em 16 meses tudo fique pronto.
Comerciantes na torcida
Os comerciantes da região esperam dias melhores. Desde que o Engenhão foi fechado, em março de 2013, por problemas estruturais, quem trabalha na região tem passado por dias difíceis. A maioria dos clientes eram torcedores que iam aos jogos. Agora, tentam sobreviver com a pouca circulação de pessoas, e com clientela formada basicamente por operários das obras.
Para eles, a expectativa de melhorá virá mais rápido. De acordo com o consórcio que realiza a reforma no Engenhão, o estádio será reaberto no final do ano, e parte do movimento tende a retornar. Com a abertura da estádio, eles também acreditam que o policiamento será reforçado. Os comerciantes alegam que a violência tem espantado os poucos clientes que ainda restam.
Para os comerciantes do Engenho de Dentro, a construção de um parque garante a presença de clientes não só em dia de partidas. “Se der certo, vamos conseguir recuperar um pouco do prejuízo que tivemos. Foram tempos difíceis”, contou Abelardo Borges, dono de um bar. Sobre as queixas de moradores e comerciantes, a Polícia Militar informou que rondas são feitas com frequência na região.
Cansados de obras, moradores estão céticos
Os moradores da região estão recebendo o projeto de forma cética, pelo menos quando ao cumprimento do prazo. Dizem estar felizes pelo poder público ter voltado a atenção para o bairro. Mas também se dizem cansados com obras recorrentes. Eles esperam que essa seja a última intervenção na região por um bom tempo e que traga melhorias permanentes.
A comerciante Iara Couto, de 63 anos, é moradora da Rua Doutor Padilha. Ela contou que já enfrentou as obras de construção do Engenhão e a atual reforma do estádio. Agora, reclama que precisará conviver com as adaptação do entorno. Ela espera que essa seja definitiva. “Melhorias são bem-vindas, mas precisam ser feitas de uma vez. Essa é a terceira obra, e as melhorias ainda não chegaram. Tomara que seja dessa vez”, contou.
Iara, que também tem um pequeno comércio, reclamou que com o fechamento do Engenhão e o bairro tendo se transformado em um canteiro de obras, o policiamento foi relaxado e crimes se tornaram frequentes . “Os moradores que querem pegar trem pedem para alguém os levar de carro até a Estação do Méier porque lá é mais seguro, apesar de termos uma estação a cem metros daqui”, disse.




