Eleição na Escola Municipal Orlando Villas Boas vai parar na polícia

Delegacia e secretaria investigam ameaças na disputa de chapas para diretoria pela internet

Por daniela.lima

Rio - Xingamentos, difamações, ameaças de tiros, de bombas e de incendiar um colégio público. Esse foi o roteiro na internet de uma campanha para a eleição da diretoria da Escola Municipal Orlando Villas Boas, na Lapa. O caso é investigado em inquérito policial e em sindicância aberta pela Secretaria Municipal de Educação. 

Sete professores da Escola Municipal Orlando Villas Boas registraram queixa por difamação por uso de rede social para falar mal de opositoresJoão Laet / Agência O Dia


Tudo começou com a criação de páginas no Facebook das duas chapas concorrentes: a Responsabilidade e Compromisso, da diretora Denise Martins Monassa Dias, que acabou reeleita, e a chapa Sol, de oposição. Alunos e ex-alunos se excederam nas postagens, ameaçando incendiar a escola caso sua opção perdesse. Depois dos insultos, chegaram àsameaças de tiros e bombas. A página foi deletada da rede, porém a reportagem teve acesso ao conteúdo.

O mais inusitado é que dois integrantes da diretoria, a coordenadora pedagógica Ana Cristina Stellitano e o professor de apoio Helio Waizbort, participaram das conversas e não reprimiram textos como esse: ‘Sem ko (sic) já taquei bomba uma vez no colégio. E se a Denise perder eu vou tacar logo 10’, escreveu um aluno. Ana Cristina e Helio são investigados também por difamação, pois usaram a rede social para falar mal dos opositores, chamando-os de preguiçosos. Em uma postagem, reproduzida no quadro ao lado, a coordenadora escreve a um aluno que a chapa Sol quer ‘queimá-los’.

Sete professores, que pediram para não terem seus nomes divulgados, registraram queixa por difamação e ameaças na 5ª DP (Mem de Sá). Eles afirmam que procuraram a SME e nada foi feito. Depois que a denúncia chegou ao DIA, a secretaria abriu sindicância.

“Sei que se fala de violência na rede pública de ensino faz tempo, é notícia velha... mas eu nunca tinha visto conivência de ‘educadores’, como se as ameaças fossem uma brincadeira”, criticou um dos professores da chapa Sol. Ele conta que há dois anos, o mesmo aluno jogou bomba na quadra com o risco de ferir um colega. “Se ele diz que jogará várias e a coordenadora ri, enquanto outro afirma que vai ‘meter bala’ nos professores e o educador Hélio curte, o que é preciso para que isso vire uma notícia? Que alunos e professores sejam feridos?”.

A reportagem procurou a diretora Denise Monassa, que não quis comentar oficialmente. Em conversa informal, entretanto, disse que as bombas são “de festa junina.” 

‘Cultura de paz no colégio’

A Polícia Civil informou que está tomando depoimentos dos envolvidos, mas não detalhou a investigação para não prejudicar os trabalhos. Em uma nota, a SME afirmou que há campanha contra violência nas escolas e explicou que a sindicância será feita pela 1ª CRE (Centro): “A SME esclarece que não admite este tipo de conduta nas unidades escolares da Prefeitura do Rio. Desde 2009, a secretaria vem implantando diversas ações para promover uma cultura da paz nas escolas, como a criação do Regimento Escolar Básico”.

A secretaria informou que, além de medidas de caráter pedagógico e disciplinar para os alunos, o regimento proíbe a prática de qualquer tipo de violência, seja física ou verbal ou ainda por meios eletrônicos, com punições que vão da simples advertência até ao encaminhamento dos casos mais graves aos conselhos tutelares.

Ainda segundo a nota, “A Secretaria implantou, em 2011, um programa de Educação para a Paz, que promove uma mudança positiva no ambiente escolar, prevenindo conflitos e reduzindo a violência.”

Professores ameaçados ficaram indignados com a demora da Secretaria de Educação em tomar uma atitude em relação ao problema. Segundo eles, as primeiras queixas foram ignoradas. “A secretaria e CRE (Coordenadoria Regional de Educação) parecem ter julgado o caso como banal, tivemos que ir à polícia e à imprensa”, criticou uma professora.

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