Rio sedia maior casamento homoafetivo do planeta

Zona Portuária foi palco de 160 uniões ao som de ‘Emoções’

Por daniela.lima

Rio - A Zona Portuária foi colorida com as cores da bandeira LGBT ontem, durante a celebração de um casamento coletivo de 160 casais homoafetivos. A cerimônia foi o maior evento do tipo no mundo, segundo a organização. 

“Tivemos que limitar a quantidade de casais porque era impossível montar uma cerimônia com mais gente”, disse Cláudio Nascimento, coordenador do Programa Rio Sem Homofobia. Esse foi o quinto casamento coletivo promovido pelo programa estadual desde 2011. Nascimento afirmou que pensa em levar o próximo para o Maracanãzinho, com 300 casais.

GALERIA: Veja as fotos da cerimônia

Projeto 'Amor é legal' realizou o casamento civil de 160 casais homoafetivos%2C antes reconhecidos apenas como união estável%2C no RioCarlo Wrede / Agência O Dia

Os casais se reuniram com cerca de 1.500 convidados, entre amigos e familiares no Armazém da Utopia. A cantora Jane Di Castro, ícone do cenário trans do Rio, casou e “causou”. Ela oficializou sua união com Otávio Bonfim após 47 anos de convivência. “Nunca pensei que fosse realizar esse sonho porque vivi um período de Ditadura e repressão”, disse ela, que fugiu do traje branco e optou pelo vinho. Jane puxou o cortejo dos noivos cantando “Emoções”, de Roberto Carlos.

Do total de participantes, dois terços eram casais de lésbicas e um terço era formado por gays. A faixa etária dos noivos variava entre 18 e 69 anos. Uma das poucas representantes dos idosos, a aposentada Eliana Gondim, 64, veio de Friburgo para oficializar a união com a auxiliar de serviços gerais Sônia Regina Lemos, 63. “Já tínhamos assinado a união estável, mas resolvemos nos casar para ter mais segurança. No caso de falecimento, o casamento dá direito a vários direitos automaticamente”, afirmou.

Projeto 'Amor é legal' o casamento coletivoCarlo Wrede / Agência O Dia

Para muitos participantes, a formalização também representou um ato político. “Temos que mostrar para a sociedade que isso existe para estimular outros casais a se libertarem de dogmas”, afirmou o arquiteto Robert Rudiger, 58.

Na cerimônia, a deputada federal Jandira Feghali ressaltou a necessidade de pressão da sociedade civil para que os direitos conquistados não retrocedam. “Esse casamento é a resposta que podemos dar aos fundamentalistas e preconceituosos”, disse, mencionando o Estatuto da Família, projeto que tramita no Congresso e restringe o conceito de família aos casais formados por homem e mulher.


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