Por adriano.araujo, adriano.araujo
Rio - Longe das salas frias dos museus, a arte encontrou o calor do Borel. A ideia era criar uma galeria para a comunidade chamar de sua. Mas alguns jovens decidiram ir além. “Mais do que acessível, queríamos tornar a arte íntima das pessoas daqui”, conta Gabriela Santos, integrante do coletivo Boreart e coordenadora da ‘3ª Exposição de Arte Moderna nas casas do Borel’, projeto em que quem vive na favela abre suas portas até fevereiro para abrigar obras de artistas selecionados pelo MAM.

A diarista Luciene Galdino, 45 anos, faz questão de transformar sua casa em galeria todos os sábados, das 10h ao meio-dia, e mostrar os quadros de Gabriela Gusmão, artista plástica da mostra, junto a Afonso Tostes e Cabelo. “Isso já faz três anos. Participo desde 2012”, diz ela, que antes de as obras de arte irem ‘morar com a família’, só havia visitado um museu duas vezes.

Luciene (E)%2C que recebe obras de Gabriela%2C está feliz da vidaFabio Gonçalves / Agência O Dia

Com a arte instalada não só na casa de Luciene, mas também na de três vizinhos, a diarista comemora o interesse da comunidade que bate em sua porta à procura de seus ‘hóspedes’.

A novidade do mutirão veio inspirada na Escadaria Selarón, famosa por seus azulejos, na Lapa. Aos poucos, os degraus de uma escada com entrada pela Rua Nova, no Barranco, vai trocando o cinza do cimento cru pelo colorido do mosaico feito pelas crianças do Borel. Em uma parede próxima, desenhos vão surgindo do spray de um grafiteiro. “Uma coisa vai puxando a outra. Eu comecei a me envolver com o grafite há quatro anos e acabei conhecendo outras vertentes artísticas e expandindo o conhecimento”, comenta Pablo Carvalho, um dos grafiteiro do projeto.