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Estância hidromineral faz 100 anos e planeja abrir suas portas a turistas

Empresa Santa Cruz, em Água Santa, é a segunda fonte de água registrada no estado

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - O Rio vai ganhar em breve um novo ponto de visitação pública: a estância hidromineral Santa Cruz, em Água Santa. Segunda fonte registrada no estado — a primeira é a Salutaris, em Paraíba do Sul, no Centro-Sul Fluminense —, a empresa está completando 100 anos. Para marcar a data, os donos do complexo, além de iniciar contatos com o estado para o tombamento de sua área de 531 mil metros quadrados como patrimônio histórico, transformando-o num parque ecológico, através do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), pretendem atrair turistas de todo o País e do exterior.

“Temos uma rica história para contar ao mundo”, empolga-se Artur de Almeida Esteves, de 47 anos, um dos proprietários da fábrica, que envasa por dia cerca de 60 mil litros de água mineral, oriunda de três minas há mais de um século. Embora o rio que corta a propriedade, e que enchia lagos naturais e artificiais tenha secado há 12 anos, as três fontes da Santa Cruz continuam insurgindo caudalosas no alto da Serra Ignácio Dias, também chamada de Pretos Forros.

A beleza do casarão em estilo belga contrasta com o rústico túnel construído pelos escravos e que dá acesso à principal fonte da Santa CruzDivulgação

“Com o patrimônio tombado culturalmente, obteremos recursos para reflorestar a região e recuperar o rio”, sonha Artur.

As três fontes foram descobertas pelo escravo alforriado Domingos Camões, que era mais conhecido como Beiçola. Diz a lenda que Camões vendia a água das minas em garrafões de vinho em lombo de burros, propagandeando que o precioso líquido fazia milagres. “Alardeava que a água era santa, que tinha poderes curativos. Daí surgiu o nome do bairro”, conta o gerente de produção e guia turístico da empresa, Gilson Nunes da Silva, 47 anos.

Contraste

Curiosidades, aliás, não faltam no local. Uma delas é o contraste entre um abrigo centenário, feito com pedras gigantes por escravos alforriados de engenhos da Zona Norte no alto do morro, e a pujança do casarão em estilo belga, erguido em 1850, com mão de obra escrava. Túneis estreitos que serviam de rotas de fugas para alforriados atacados por jagunços e o de aproximadamente 50 metros que dá acesso à fonte que dá nome a fábrica também chamam a atenção.

O rústico anfiteatro, o lago das curas, onde antigos frequentadores se banhavam no veio das fontes na esperança de obter saúde, e as belas paisagens da localidade, completam o cenário.

'Santinha' será relançada

?Para marcar os 100 anos da Água Santa Cruz, a empresa vai reeditar nas próximas semanas, em série limitada, a chamada Santinha, embalagem de 280 ml, que foi uma febre na década de 1970, quando os consumidores atribuíam a ela a cura de doenças. A intenção da empresa é relançar outros rótulos que deixaram famosa a marca.

Outra lembrança do centenário empreendimento é o galão de 15 litros, batizado de bailarina. O formato, mais estreito no meio, lembrando o corpo de uma bailarina, facilita o seu manuseio. “Fiz muitos moldes improvisados, até achar a forma ideal”, lembra Artur de Almeida Esteves, que disponibiliza diariamente, cerca de 400 litros de água por hora de graça à comunidade local.

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