Justiça condena à prisão motorista que atropelou filho de Cissa Guimarães

Pai de Rafael Bussamra também foi sentenciado por tentar corromper policiais oferecendo suborno para acobertar o filho

Por O Dia

Rafael Mascarenhas foi atropelado no Túnel Acústico em 2010Reprodução Internet

Rio - Uma lição para pai e filho. O juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, da 16ª Vara Criminal, condenou nesta sexta-feira Rafael de Souza Bussamra a 12 anos e nove meses de prisão e suspendeu sua carteira de habilitação por quatro anos e meio.

Ele é o responsável pelo atropelamento e morte do estudante Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, no dia 20 de julho de 2010, no Túnel Acústico da Gávea, Zona Sul.

O pai do atropelador, Roberto Martins Bussamra, foi condenado a oito anos e 11 meses de reclusão por ter ajudado o filho a subornar com R$ 10 mil dois PMs, para ajudar a esconder o crime. Ambos foram presos no fim da tarde de ontem.

“Vejo esta sentença como uma luz que ilumina a sociedade. É um alívio no meu coração e de todas as mães e familiares que passam por isso. Os pais precisam pensar sobre a maneira que educam os filhos. Espero que possamos evoluir”, afirmou Cissa.

Rafael Bussamra foi condenado pelos crimes de corrupção ativa, homicídio culposo, inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico, afastamento do local do acidente para fugir à responsabilidade penal e participação em ‘pega’. Já seu pai, Roberto Bussamra, vai cumprir pena por corrupção ativa e inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico.

“A decisão reconhece a gravidade da situação. São pessoas desprovidas de ética. Deram demonstração do que um ser humano não deve fazer antes, durante e depois do que ocorreu”, afirmou o advogado Técio Lins e Silva, assistente de acusação. Na sentença, o juiz destacou a atitude do pai em corromper os militares numa tentativa de acobertar o filho. “Não apenas policiais que acobertam e omitem o crime (sendo, por isso, também criminosos), mas também os falsos pais que superprotegem os filhos criando pessoas socialmente desajustadas. (...)”, relatou o magistrado.

Em outro trecho, Schilling destacou o comportamento dos réus. “É um comportamento reprovável e malicioso dos réus, que através de enxurrada de inverdades, buscaram não somente eximirem-se da responsabilidade penal, mas na realidade transferi-la com maior peso a outras pessoas. Percebe-se uma verdadeira degradação de valores morais em uma família de classe média, que talvez por mero individualismo, ou abraçando uma cultura brasileira de tolerar exceções, tende a apontar os erros dos outros, e colocando um verdadeiro véu sobre seus erros”, assinala o juiz.

O advogado Alexandre Dumans, que defende Rafael e Roberto, informou que vai recorrer da decisão.

Leia mais:

Cissa Guimarães reinaugura túnel com nome do filho

Emoção na homenagem a Rafael Mascarenhas

Últimas de Rio De Janeiro