Impossível viver sem as ruas e avenidas do Rio

Artérias que levam ao Centro, bairro que é o coração da cidade, passaram por transformações que ajudam a contar a história e o cotidiano do Rio de Janeiro

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Avenidas, pontes e vias expressas. É difícil imaginar a vida no Rio sem essas artérias que alimentam o coração da cidade e movimentam o cotidiano carioca. Essas personagens e suas infinitas transformações completam a história dos 450 anos.

Taxista há 26 anos%2C Josué Lima coleciona histórias das ruas do Rio Fernando Souza / Agência O Dia

Uma das mais importantes, a Avenida Rio Branco foi inaugurada simbolicamente no dia 15 de novembro de 1905, aniversário da República. “As ruas do Centro eram apertadas e lembravam o Império. A República queria mudar a cidade, combinando com o novo tempo”, explica João Baptista Ferreira de Mello, do Instituto de Geografia da Uerj.

Ele recorda que, assim como a Rio Branco, a Presidente Vargas foi inaugurada em data simbólica, 7 de setembro de 1944. Concebida como uma exaltação à figura que lhe dá nome, 581 prédios, quatro igrejas e diversas ruas foram destruídas para sua construção. A Candelária, um dos símbolos do logradouro, quase foi demolida no processo. Desde então, a avenida é palco principal da história carioca.

“Foi ali. Saí da Primeiro de Março e vi um monte de corpos no chão”, apontou Josué Lima, 52 anos. Ele falava do momento mais marcante de seus 26 anos como taxista: a chacina da Candelária.

Lima escolheu o Centro como seu ponto, mas corta a cidade por todas as linhas expressas. “Gosto principalmente do Aterro do Flamengo. É lindo!”, declara.

Outra artéria do sistema carioca, é a Avenida Brasil. Famosa em todo o país após batizar a novela de sucesso, a via é realidade para as pessoas que transitam por ela em mais de 300 mil veículos por dia. “É um trajeto bem cansativo, mas eu sempre reparo na alegria e criatividade dos ambulantes para enfrentar as dificuldades”, contou Daniele Ramos, 23, operadora de telemarketing. “É um pouco de colorido no meio de tanto cinza.”

As vias também falam das contradições da cidade maravilhosa. “A Linha Vermelha e seus muros servem como uma máscara para quem vem das outras partes não ver a favela”, diz Fernanda Garcia, 19 anos, moradora do Complexo da Maré.

Há ainda quem viva sempre com os olhos no horizonte. Para os usuários da Ponte Rio-Niterói não há outra opção. “A viagem é demorada, não adianta ter pressa. O ideal é olhar para a paisagem ouvindo música”, aconselha Luís Felipe Sá, 24, publicitário que mora em Niterói e trabalha no Centro do Rio. “É bom pra dar um tempo na ansiedade do trabalho.”

Reportagem de Flora Castro

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