Apesar da melhora, prática do esporte na Lagoa ainda não é recomendada

Laudo da Secretaria do Ambiente diz que oxigênio aumentou, mas especialistas afirmam que peixes morreram pela poluição

Por paulo.gomes

Rio - Após o recolhimento de 54,3 toneladas de peixes mortos no espelho d’água da Lagoa Rodrigo de Freitas pela Comlurb, o laudo divulgado na segunda-feira pela Secretaria Municipal do Ambiente indica melhora nas condições do ecossistema. No entanto, a prática esportiva também continua desaconselhada na maior parte da Lagoa, isso a menos de 500 dias da Olimpíada.

Na segunda-feira%2C garis ainda recolheram peixes boiando no espelho d’águaFernando Souza / Agência O Dia

Palco das competições de remo dos Jogos, a lagoa convive com sucessivas mortandades de peixes e interdições para práticas esportivas. Hoje, mais de 60% dos 2,2 quilômetros quadrados encontram-se impróprios. Na segunda, poucos se aventuravam à recreação naquelas águas. No final de semana, remadores afastavam peixes para treinar. Cinco ecobarcos da Comlurb operaram na limpeza. A remoção dos peixes presos nos manguezais foi a principal tarefa. Garis utilizam pulverizadore com essência de eucalipto para tentar minimizar mau cheiro.

Os índices de concentração de oxigênio, que desceram a 2,16 miligramas por litro na manhã de segunda-feira, subiram para 7,47 durante a tarde, o que indica um freio na mortandade. No entanto, especialistas alertam que o quadro de desequilíbrio pode voltar a ocorrer em proporções ainda maiores, e divergem da versão oficial, que credita a tragédia ambiental a um choque térmico provocado por fortes chuvas. Segundo a Secretaria de Ambiente, a melhora se deu por conta da radiação solar.

O oceanógrafo da Uerj, David Zee, relaciona a mortandade à entrada de matéria orgânica (sujeira e sedimentos) na Lagoa. “As savelhas são mais sensíveis à poluição que veio com a água da chuva pelo Jardim de Alah. Se fosse choque térmico, todos os peixes teriam morrido ao mesmo tempo.”

O ambientalista Mário Moscatelli ressalta que muitos dos peixes mortos ainda estão no fundo da lagoa e sua decomposição também consumirá oxigênio. “Se os níveis de oxigênio descerem, outras espécies de peixe podem ser dizimadas”, alerta.

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