Suspeito de assalto é espancado e amarrado na Zona Oeste

Homem foi socorrido por policiais do 14ºBPM (Bangu) e levado para a UPA de Senador Camará. Pelas redes sociais, moradores da região apoiam agressão ao homem

Por paulo.gomes

Rio - Após roubar o celular de uma senhora, Daniel Jesus de Aquino, o Daniboy, de 31 anos, foi amarrado com as mãos para trás e espancado por um grupo de pessoas que presenciaram o assalto, na noite de quarta-feira, em Senador Camará. O suspeito foi socorrido por policiais militares e encaminhado para a UPA do bairro. Até a noite de ontem, não havia informações sobre seu estado.

Policiais do 14º BPM (Bangu) informaram que faziam patrulhamento pela localidade Marco 7 quando viram o assaltante caído no chão e sangrando. Renato Bezerra Carvalho, delegado-adjunto da 34ª DP (Bangu), disse que algumas pessoas o detiveram, amarraram e desferiram socos e pontapés.

Suspeito de assalto em Senador Camará%2C homem foi encontrado ferido e amarrado pelos policiais do 14ºBPM (Bangu) e levado para a UPA do bairroReprodução Facebook / Realengo News

“Ele chegou a entrar em luta corporal com a vítima no assalto, mas conseguiu fugir. Daniel estava livre há apenas 35 dias, após cumprir pena no Complexo Penitenciário Gericinó, em Bangu, pelos crimes de roubo e furto”, contou o delegado, ressaltando que o acusado tem outras oito passagens por crimes como tentativa de roubo e lesão corporal, entre outras. Policiais da unidade agora estão à procura do grupo que linchou o assaltante.

Na página do DIA no Facebook, internautas comentaram a ação dos ‘justiceiros’: “Quando a Justiça fecha os olhos, o povo abre os seus. Parabéns, povo de Bangu”, postou uma internauta. “Se for para agir desse modo, não precisaremos mais de polícia, advogados, promotores e juízes, já que é o povo que decide”, ponderou outro seguidor.

Segundo o sociólogo Ignácio Cano, coordenador do Laboratório de Análises e Violência da UERJ, a falta de confiança das pessoas na Justiça é o principal fator para que ocorram essas atitudes, que classificou como um crime de barbárie. “Cerca de 44% da população acredita que bandido bom é bandido morto. E o pior: isso pode acabar descambando para a agressão de inocentes. O sistema criminal e a Justiça servem para analisar caso a caso dentro de um trâmite legal”, explicou.

Na página "Realengo News", no Facebook, testemunhas relataram o fato e apoiaram a agressão ao suspeito: "Eu vi tudo. Estava na academia quando a mulher passou gritando e todos correram pra pegar o safado. Devia ter morrido, seria menos um", diz uma mulher na rede social. Em outro post, uma pessoa falou sobre a falta de segurança na região. "Moro na Pedra Branca e essa redondeza é muito perigosa. Precisamos mesmo agir assim. Eles pensarão duas vezes em assaltar mulheres", escreveu.

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No Maranhão, outros dois episódios

O episódio aconteceu na mesma semana em que Cleidenilson Pereira da Silva, de 29 anos, morreu ao ser espancado por populares após tentar assaltar um bar em São Luís, no Maranhão. Um adolescente, comparsa de Cleidenilson, também foi linchado na segunda-feira em São Luís, mas sobreviveu porque se fingiu de morto até a chegada da Polícia Militar.

Em fevereiro do ano passado, um adolescente de 15 anos foi amarrado a um poste no Aterro do Flamengo, Zona Sul do Rio. Ele contou que 15 homens, um armado, foram os responsáveis pelas agressões.

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