Por paulo.gomes
Rio - O sepultamento de Wallace de Souza Gilio, de 22 anos, acontecerá nesta quinta-feira, às 11h, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte. O jovem morreu na noite de terça-feira, na Rua Gustavo Riedel, no bairro do Engenho de Dentro, enquanto brincava com um amigo, fingindo que iria roubá-lo, quando foi baleado no pescoço pelo PM André Felipe Aguiar Rebello. Lotado no 15ºBPM (Duque de Caxias), o policial imaginou tratar-se realmente de um assalto.
O policial está afastado das ruas e receberá acompanhamento psicológico. O Comandante do 15ºBPM, João Busnello, instaurou uma sindicância para apurar as circunstâncias da ocorrência. Em fevereiro de 2013, André Felipe foi acusado de matar o modelo e promoter Rodrigo Paulo Neves Cardoso, de 29, com um tiro à queima-roupa no peito, durante uma discussão, no Méier. O inquérito foi concluído e arquivado. André não chegou a ser preso.
Morto na noite de terça-feira%2C Wallace de Souza Gilio%2C de 22 anos%2C será sepultado nesta quinta-feira%2C no Cemitério de InhaúmaReprodução Facebook

Ele usou uma arma da corporação, apesar de estar de folga à paisana. Na época, o policial estava na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dos Morros da Baiana e do Adeus, no Complexo do Alemão, também na Zona Norte. Ele chegou a se apresentar na Divisão de Homicídios (DH) da Capital e alegou legítima defesa.

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“Se houver necessidade, pediremos a prisão temporária do policial. Vamos fazer a reprodução simulada dos fatos e apurar sua versão”, afirmou o delegado titular da DH, Fábio Cardoso.
Especialistas divergem sobre ação de PM
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Dois especialistas ouvidos pela reportagem do DIA têm opiniões contrárias sobre a ação do PM, que acabou na morte de Wallace Gilio. O Coronel Paulo Cesar Lopes, ex-comandante do 15ºBPM elogiou a ação do policial militar.
"Tem que avaliar o caso concreto. Mas está configurada a legítima defesa. Ele imaginou que o jovem iria praticar o roubo. E se o jovem estivesse armado e atirado no policial? Quem já trabalhou de forma operacional, sabe como é o clima de insegurança plena nas ruas. Ele atuou com legitimidade", disse". O coronel discorda dos rumos da investigação da Polícia Civil. O soldado deve responder por homicídio doloso (quando há a intenção de matar). "Quem avalia isso fica atrás da mesa no ar condicionado e não conhece as ruas", definiu o ex-comandante.
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O especialista em segurança pública, Paulo Storani, no entanto, discorda da ação do PM. Para ele, os policiais militares do Rio estão com um quadro de 'colapso psicológico'. "É óbvio que está errado, o PM extrapolou. Faltou atenção dele. Agora, tem que saber o que o levou a agir dessa forma. A verdade é que a polícia entrou num colapso psicológico onde confundem arma com macaco hidráulico e skate. Trabalham sob tensão", disse.
Colaboração de Diego Valdevino