Paulo Ramos (PDT)
Paulo Ramos (PDT)Divulgação/Câmara
Por Paulo Ramos*
Ao longo dos últimos anos, sucessivos governos estaduais foram se distanciando de suas responsabilidades na área da Saúde, não só fechando unidades, como transferindo a gestão para a iniciativa privada ou para o Município do Rio que, por sua vez, também privatizou a gestão. O Instituto de Infectologia São Sebastião, do Caju, sob a alegação de problemas de segurança, por exemplo, foi fechado. Os hospitais Pedro II (depois de criminoso incêndio), Rocha Faria e Albert Schweitzer foram transferidos para a gestão municipal.

A rede IASERJ, responsável pelo atendimento dos servidores públicos estaduais e familiares, vem sendo extinta. O IASERJ Central, na Praça da Cruz Vermelha, foi demolido para dar lugar à expansão do Instituto Nacional do Câncer (Inca). No lugar daquele complexo hospitalar, que reunia dezenas de especialidades médicas, maternidade, centros cirúrgicos, unidades de tratamento intensivo, enfermarias, odontologia, psicologia, assistência social, até tratamento de feridas crônicas, temos, hoje, um terreno baldio.
Estive lá, juntamente com os servidores, na fatídica madrugada, quando intensificaram o esvaziamento das instalações e a transferência dos últimos internados. Os equipamentos hospitalares e o mobiliário ninguém sabe para onde foram, e alguns dos pacientes morreram na transferência.
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Agora, foi fechado o Hospital Eduardo Rabello, em Campo Grande. Não se sabe o destino que a ele será dado, restando somente o IASERJ Maracanã e o Niterói, que estão funcionando longe das respectivas capacidades. Enfim, em plena pandemia do coronavírus, algumas indagações devem ser feitas:
1. O Instituto de Infectologia São Sebastião, com toda a tradição e experiência acumulada ao longo de mais de 100 anos, seria um grande instrumento à disposição da sociedade?
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A resposta é óbvia, basta apenas lembrar o surto da dengue e o excelente trabalho realizado, que tantas vidas salvou.
2. A rede IASERJ, com toda a estrutura, estaria reduzindo o déficit de leitos e outras carências acentuadas pela pandemia?
É claro que, sim.
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3. Onde estão os servidores estaduais estatutários que se dedicaram à Saúde da população nas unidades citadas (citei apenas as principais ou as maiores)?
Muitos podem não saber onde estão, mas é preciso denunciar; estão, praticamente, encostados, deprimidos, sem qualquer atenção ou direito, mas lutando. Lutam para que possam recuperar a dignidade que lhes tiraram, a começar pelo devido plano de cargos, carreiras e salários. Uma parte expressiva recebe um salário mínimo, os demais, incluindo os com nível superior, na faixa de dois salários mínimos, dependendo do tempo de serviço.
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Enfim, o sofrimento pelo qual passam os servidores estaduais da Saúde, que integram e gostariam ou deveriam estar na chamada linha de frente, é tão grande quanto daqueles que não têm o devido atendimento ou morrem dentro e fora dos hospitais, dentre outras causas, pela falta de profissionais de Saúde.
*É deputado federal pelo PDT-RJ