Por gabriela.mattos

Rio - O prefeito Marcelo Crivella disse que pretende passar a carga horária das escolas de tempo integral de sete para nove horas “o mais rápido possível”. No domingo, em decreto no Diário Oficial, ele já havia anunciado o plano de ampliar em 50% o número de instituições de tempo integral até 2020. Ontem, em visita ao Hemorio, Crivella também comentou que quer cobrar dos planos de saúde uma dívida de cerca de R$ 500 milhões e viabilizar a municipalização de 16 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), atualmente geridas pelo estado.

Segundo o prefeito, a Secretaria de Fazenda, agora comandada pela economista Maria Eduarda Gouvêa Berto, já estuda como viabilizar o projeto de aumento da carga horária. “Quero ampliar para nove horas. Acho que é fundamental sobretudo na creche, na pré-escola. Quero fazer isso de acordo com o orçamento. Já pedi um estudo para vermos o mais rápido possível”, afirmou Crivella ao DIA.

A carga horária de sete horas, com os alunos liberados às 14h30, foi muito criticada durante a campanha eleitoral — inclusive por Crivella —, tendo como alvo o PMDB. O prefeito voltou a explicar por que considera importante ampliar o tempo de permanência dos alunos na escola. “Hoje é muito importante que o pai e a mãe trabalhem. Porque se o pai perde o emprego, a mãe não deixa faltar o essencial. Mas, para os dois trabalharem, só tem um jeito: as crianças têm que estar na escola em horário integral”, disse um exausto Crivella, às 18h40, enquanto terminava de conhecer o Centro Administrativo da Prefeitura, na Cidade Nova.

No primeiro dia útil do mandato%2C o novo prefeito foi visitar o Hemorio e doou sangue%3A ‘Nesta época do ano%2C aumenta a demanda e cai a oferta’Severino Silva / Agência O Dia

A ideia de cobrar a dívida dos planos de saúde, que ultrapassa R$ 500 milhões, segundo o secretário municipal de Saúde, Dr. Carlos Eduardo, depende de negociação com as operadoras. De acordo com ele, a dívida é referente ao Imposto Sobre Serviços (ISS). O objetivo da permuta é diminuir as filas do sistema de regulação dos hospitais.

“Uma estratégia seria reverter uma parte dessa dívida em serviços de consultas, de exames e de cirurgias. Nós estamos estudando a viabilidade. Certamente, se tudo correr bem, será uma grande força para nós mitigarmos essa fila que fere o senso da nossa dignidade. É uma fila de cerca de 100 mil pessoas, muitas delas aguardando há anos”, explicou o secretário, afirmando que a outra parte da dívida terá que ser paga em dinheiro.

Apesar de o secretário falar em negociação com as operadoras, o prefeito não descartou a possibilidade de cobrar o débito na Justiça. “Acho que chegou a hora de a gente chamar o Ministério Público, chamar o Tribunal de Contas e fazer um acerto de contas. Se eles (planos de saúde) não podem pagar tudo, que nos ajudem em consultas, exames e cirurgias de baixa complexidade”. O DIA tentou contato, por telefone, com a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), mas ninguém atendeu.

Novo prefeito doa sangue no Hemorio

O mandato de Crivella começou com doação de sangue em família no Hemorio, no Centro. Segundo o prefeito, de 59 anos, o objetivo é estimular a doação em um período de redução dos estoques no sistema público de saúde. Na época de festas — Natal, Réveillon e Carnaval — cai drasticamente o número de bolsas de sangue disponíveis no Hemorio.

Acompanhado do novo secretário de Saúde, Carlos Eduardo, Crivella explicou que a ideia de doar sangue no primeiro dia útil do ano é um ato de solidariedade. “É simbólico, mas eu pedi a todos os secretários que estivessem aqui comigo hoje. Esse é um momento em que aumenta a demanda, mas também cai a oferta.” Apesar do pedido feito ao secretariado, apenas Carlos Eduardo e Teresa Bergher (Assistência Social e Direitos Humanos) compareceram ao Hemorio. No total, são 12 secretários.

Dia de conhecer a nova casa

Marcelo Crivella passou a tarde de ontem conhecendo o Centro Administrativo da prefeitura, na Cidade Nova, e conversando com servidores municipais. Também se reuniu com alguns secretários, como Indio da Costa (Urbanismo, Infraestrutura e Habitação) e Nelcimar Nogueira (Cultura). Indio é um dos que assumiram pastas fundidas e estudam como trabalhar com a junção — ainda mais em tempos de ‘vacas magras’, com cortes de cargos comissionados.

Outros secretários se reuniram com funcionários das respectivas áreas. “A semana está sendo de colocar as coisas no lugar”, apontou Clarissa Garotinho, nova titular da pasta de Desenvolvimento, Emprego e Inovação. Hoje, o novo prefeito convocou o secretariado para plantar árvores em Bangu, às 8h. A Zona Oeste deu ampla votação a Crivella.

Reportagens do estagiário Caio Sartori e do repórter Wilson Aquino

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