Confronto entre PM e bandidos no Pavão-Pavãozinho termina com pessoas feridas

A UPP não informou a identidade dos feridos nem se foram vítimas de bala perdida. Uma delas trabalha como faxineiro em um prédio na região

Por O Dia

Rio - Seis pessoas ficaram feridas, entre elas dois PMs, após confronto entre policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Pavão/Pavãozinho/Cantagalo e traficantes, no início da tarde desta quarta-feira, no Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul. Uma das vítimas trabalhava como faxineiro em um prédio na Rua Sá Ferreira e tinha subido a favela para almoçar em casa. Fábio Franco de Alcântara, de 38 anos, acabou não resistindo aos ferimentos e morreu no Hospital Miguel Couto, na Gávea. O clima é tenso nas ruas de Copacabana, no entorno da comunidade, e a Rua Sá Ferreira foi fechada ao trânsito. O policiamento está reforçado por outras UPPs e pelo Batalhão de Choque (BPChq).

"Ele foi em casa almoçar por volta das 11h30 e escutamos uma rajada. Depois chegou a informação que ele tinha sido baleado e que foi levado para o hospital", falou um porteiro que não quis se identificar e trabalha no edifício que Fábio Alcântara prestava serviço. "Era muito querido e prestativo. De vez em quando prestava serviços para os prédios vizinhos", disse uma moradora do bairro.

Segundo o comando da UPP local, policiais faziam patrulhamento na localidade do Serafim quando bandidos atiraram e arremessaram explosivos contra os militares, por volta de 12h, iniciando um confronto. Os criminosos fugiram. De acordo com a unidade, eles foram informados de pessoas feridas que deram entrada no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Eles teriam sido feridos, a princípio, pela explosão de uma granada. Não há informações sobre o estado de saúde das outras vítimas.

Uma varredura é realizada na comunidade para localizar os traficantes. A polícia não informou a identidade dos outros feridos. O caso foi registrado na 13ª DP (Ipanema) e seguirá para a Delegacia de Homicídios (DH-Capital), que assumirá as investigações.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o intenso tiroteio e explosões na comunidade de Copacabana. "Cuidado quem for passar pela Raul Pompeia, embaixo do túnel. Estão jogando pedras lá de cima nos carros e nas pessoas", escreveu um internauta. Moradores desceram a comunidade após as mortes e há grande movimentação no entorno da favela. 

Turistas e moradores assustados

Um dos principais pontos turísticos do Rio, Copacabana vive um clima tenso após seis pessoas ficarem feridas no Favela Pavão-Pavãozinho, após um ataque de bandidos. Segundo quem mora ou trabalha na região, os tiroteios têm sido frequentes, assustando quem vem passear no bairro, conhecido pela sua bela orla marítima. 

"Ele era muito conhecido e querido na comunidade. A pacificação aqui está vivendo o pior momento. Todo dia tem tiros e os moradores se escondem dentro de suas casas e nos prédios para saírem da linha de tiro", disse o porteiro que era companheiro de trabalho de Fábio Alcântara.

O engenheiro Thiago Carvalho, de 30 anos, está hospedado em um hotel no bairro perto da comunidade com a noiva e a sogra. Eles, que são de Belo Horizonte e passaram cinco dias no Rio e vão embora nesta quarta-feira, deixam o bairro com uma impressão ruim. 

"Sabíamos que tinha uma comunidade aqui perto, mas essa troca de tiros nos deixa muito apreensivos. Sabemos que isso ocorre a todo momento no Rio de Janeiro e que é algo comum, mas é muito ruim para a cidade. No almoço hoje vimos uma van com 20 turistas estrangeiros chegando para almoçar aqui no hotel. De alguma forma prejudica muito a imagem da cidade, principalmente para quem não é do Brasil", acredita.

Deyse Moreno, 56 anos, a sogra de Thiago, disse ter ficado bastante assustada com o que viu (e ouviu) no período que ficou em Copacabana. "Parecia que eu estava dentro de um filme. No dia que nós chegamos no Rio, vimos uma viatura na porta da comunidade com fuzis e nos assustou bastante, pois não faz parte da nossa realidade", disse. 

"A gente costuma ver isso nos jornais, mas assistir isso pessoalmente nos deixa muito preocupados. Mas não vai atrapalhar nosso passeio", falou a noiva do engenheiro, Bruna Moreno, de 27 anos, enquanto eles caminhavam em direção à praia.

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