PMs formavam milícia em Mesquita

Grupo preso em operação ontem é suspeito de cobrar até por aluguel de vias públicas para pagodes

Por GUSTAVO RIBEIRO

Agentes apreenderam armas, anotações, planilhas, R$ 10 mil e aparelho utilizado em roubo de cargas
Agentes apreenderam armas, anotações, planilhas, R$ 10 mil e aparelho utilizado em roubo de cargas -

Uma 'prefeitura paralela' da milícia em Mesquita extorquia a população em ramos de atuação diversificados nos bairros Jacutinga e Vila Emil. As investigações apontam para crimes como cobrança de taxa de segurança, que chegou a R$ 1.000 por semana para um comerciante, agiotagem e até aluguel de vias públicas para eventos. A quadrilha foi desmontada ontem em operação das polícias Civil e Militar, Força Nacional e Ministério Público (MPRJ). Nove pessoas foram presas, sendo quatro PMs em exercício.

"Além de cobrar pela taxa de segurança a residências e comerciantes, as investigações apontaram que havia a distribuição de sinal clandestino de TV a cabo, venda de água e de gás, exploração de transporte alternativo, liberação de vias para pagodes, cestas básicas, empréstimos de dinheiro a juros e serviços de moto-táxis", afirmou o titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (Draco/IE), Alexandre Herdy.

A Draco iniciou as investigações após receber denúncia de um comerciante, que é PM. A vítima contou que se recusou a pagar R$ 1.000 semanais ao grupo pela segurança de duas lojas e sofreu uma emboscada. Um amigo que estava com ele foi morto a tiros. O MPRJ concluiu que o atentado foi uma retaliação pela recusa do pagamento. Segundo a testemunha, os milicianos faziam extorsões há dez meses.

Três policiais presos eram do 20º BPM (Mesquita): Marcio Lima da Cunha, o 'Zebu' (apontado como o líder), André Lemos da Silva e Tiago Costa Gomes. Natanael de Oliveira Gonçalves, o 'Niel', era do 39º BPM (Belford Roxo). Zebu sorriu ao ser detido. Também foram cumpridos mandados de prisão contra o ex-PM Paulo José Lírio Salviano, Daniel Alex Soares da Silva, o 'Escobar', e Marcos Paulo Bento de Souza. Fábio Santos Pinheiro e Rafael Rodrigues Freitas, que não teriam envolvimento com a quadrilha, foram presos em flagrante com uma pistola.

O denunciante relatou que, na ocasião da emboscada, Salviano e Escobar foram ao seu encontro, se afastaram e ocupantes de outro carro mataram o amigo. Os policiais presos responderão administrativamente e serão excluídos da PM se confirmadas as acusações, garantiu a corporação.

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