Além do transporte, risco de ficar sem aula

O motivo é que, segundo o secretário da Casa Civil, Paulo Messina, só há garantia de merenda até segunda-feira. Ponto facultativo será decretado

Por O Dia

Marisa Coelho de Melo se arriscou pelas pistas do BRT para poder chegar no trabalho na Barra da Tijuca
Marisa Coelho de Melo se arriscou pelas pistas do BRT para poder chegar no trabalho na Barra da Tijuca -

Rio - Alunos da rede municipal de ensino do Rio serão prejudicados pela continuidade da paralisação dos caminhoneiros, que ontem completou seis dias. O prefeito Marcelo Crivella informou que se o movimento não for suspenso, o município terá que suspender, a partir de terça-feira, as atividades das escolas, deixando 650 mil estudantes sem aulas. O motivo é que, segundo o secretário da Casa Civil, Paulo Messina, só há garantia de merenda até amanhã. Ponto facultativo será decretado. Crivella disse que a prefeitura vai à Justiça para desobstruir as vias se a paralisação não acabar até amanhã.

Já a rede estadual não deverá suspender as aulas. Segundo a Secretaria de Educação, o governo tem merenda merenda suficiente. "Trabalhamos com estoque nas escolas e cada diretor tem a autônima para fazer as compras que precisar. Caso algo acabe, o responsável pela unidade escolar pode adaptar o cardápio",explica o secretário da pasta, Wagner Victer.

Sem transporte

Ao longo do dia, quem precisou de transporte público, como BRT e ônibus, praticamente ficou a pé. As empresas colocaram apenas 23% da frota para rodar. Nenhuma composição do BRT circulou durante o dia. Algumas (28) foram para rua apenas no fim da tarde, depois que o Batalhão de Choque (BPChq) passou pelo bloqueio e escoltou cinco caminhões-tanques na BR-040, com 40 mil litros cada um, na região da distribuidora Raizen, da Shell, ao lado da Reduc, na Baixada.

Segundo a PM, o combustível foi para o BRT. A diretora institucional, Suzy Balloussier, informou que as linhas Transoeste (da Barra a Campo Grande) e Transolímpica (de Deodoro à Barra) seriam priorizadas. O secretário de Segurança, Richard Nunes, chegou a responsabilizar o consórcio pela demora em escoltar combustível. Segundo ele, "o BRT solicitou na sexta-feira escolta para cinco cisternas."Não puderam sair por problema de pagamento. Quando resolveram, fizemos", disse. Em nota, o consórcio informou que 'não faz compras de combustível, não tem tanque para estocar combustível e desconhece qualquer falta de pagamento'.

O secretário garantiu que todas as escoltas solicitadas para transporte de combustível foram atendidas. "Trabalhamos mediante demanda, estamos a postos aguardando os pedidos. Tudo que for solicitado, será escoltado." Ele disse que por volta de 12h40 de ontem, a Rio Ônibus fez um pedido para o transporte de combustível para ônibus convencionais.

O DIA flagrou uma cena que em dias normais seria impossível, na Avenida das Américas, próximo a estação Paulo Malta Resende, do BRT. Sem ter como ir para o trabalho de transporte público, a cadeirante Marisa de Mello, 53 anos, percorreu por 30 minutos a pista em sua cadeira motorizada para chegar ao trabalho em um shopping da Barra. "Não tinha ônibus, então, entrei aqui na pista e vim", disse.

Decreto publicado

 

O governo editou decreto, em edição extra do DO da União ontem, que "autoriza a requisição de veículos particulares necessários ao transporte rodoviário de cargas consideradas essenciais pelas autoridades".

Angra dos Reis decretou situação de emergência pública. Todos os postos de abastecimento estão sem combustível. A prefeitura ressaltou que a situação coloca em risco o Plano de Emergência das usinas nucleares que podem ser desligadas.

Feiras estão com preços nas alturas

Quem foi à feira sentiu no bolso o impacto da paralisação dos caminhoneiros. Ontem pela manhã, na Lapa, havia barracas com poucas frutas e legumes, mas com preços para lá de salgados. Um pé de alface, por exemplo, era vendido a R$ 10, e o quilo do tomada custava R$15. Frequentador da feira há um ano, o estudante Guilherme Gomes, 21, se assustou ao ver o local vazio e com a falta de produtos.

"Estamos comprando verduras e legumes dez vezes mais caros do que no último fim de semana", lembra.

No Bairro de Fátima, a reclamação era grande também. "Hoje (ontem) está tudo muito caro. Pagamos mais de R$15 em poucos tomates. Com R$60 na última semana eu já tinha comprado muita coisa. Agora, com o mesmo valor só consegui levar um saco de cenoura, um cacho de banana, milho e pimentão", disse Gracimar Bento, 48, que por conta do racionamento fez compra grande e estocou produtos como arroz, feijão e carne.

Os feirantes justificavam a alta do preço pelo fato de terem comprado os produtos bem mais caros. "Só comprei uma caixa de tomate na Ceasa. Paguei hoje (ontem) R$ 150. Trabalhamos com mais de quatro caixas por feira. Teremos que repassar a alta para o cliente", disse a feirante Juracir Paiva, 57,que comercializa no local há 30 anos.

Problema para coletar lixo

A Prefeitura do Rio também alertou que a Comlurb enfrentará problemas após o fim de semana. "Peço que segunda-feira (amanhã), se a greve for mantida, a população produza menos lixo e o mantenha em casa", disse O prefeito Marcelo Crivella.

Ele pediu ao governo e ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para conseguir liminar para que o município possa descartar, temporariamente, o lixo em Gramacho, que está fechado. Com a normalização do abastecimento de combustível, a prefeitura encaminharia os detritos à Seropédica.

Os hospitais também estão sendo afetados. Em nota, a Associação Nacional de Hospitais Privados cogita adiar cirurgias eletivas para garantir os serviços de urgência.

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