Vereador 'dá banana' para manifestantes e faz gesto homofóbico para colega

Ao fim do discurso contra a abertura do processo de impeachment de Crivella, Otoni de Paula fez gestos para ativistas e parlamentar

Por O Dia

Otoni de Paula deu 'banana' para manifestantes a favor de impeachment de Crivella -

Rio - O vereador Otoni de Paula (PSC) foi fotografado dando 'uma banana' para manifestantes que pediram pela abertura do processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella (PRB), na tarde desta quinta-feira, na Câmara dos Vereadores. O parlamentar também fez, com as mãos, gestos homofóbicos para David Miranda (Psol), um dos 16 votantes a favor do rito de impedimento. A sessão terminou com 29 votos a favor do prefeito.

"No começo da sessão as galerias estavam aquecidas, então o vereador Otoni de Paula pediu pela ordem ao presidente para que a galeria ficasse quieta e, caso não ficasse, que ele esvaziasse. Um ato não democrático. Depois que todo mundo falou, ele teve a sua vez de falar e incendiou as galerias utilizando a linguagem que ele sempre usa. Ele já chamou a Anitta de vagabunda aqui, é misógino. Se você procurar, ele já falou de Ludmilla, já falou de Anitta. Ele tem um histórico e eu já briguei várias vezes com ele aqui e logo depois disso eu fui lá pedindo pela ordem, para poder falar da hipocrisia dele. Ele desceu e já foi para a arquibancada fazendo esse gesto que ele fez. Depois eu chamei ele de hipócrita, pois ele falou para as galerias que ficassem quietas. Ele ficou fazendo esse gesto e me chamando de mulherzinha. Então ele fez esse ato de me chamar de mulher, é um ato homofóbico dentro dessa Casa com a galeria cheia de jornalistas. Há cada 19h um LGBT é assassinado no Brasil e a gente sabe muito bem como é que é, e eu sofro com a homofobia todos os dias. Então, mais uma vez, vocês puderam ver aqui como é que é ser um parlamentar LGBT no país. A gente vai entrar no conselho de ética e tentar cassar o mandato dele e também com uma ação de processo contra ele", relatou Miranda.

Questionado se pretendia registrar um boletim de ocorrência contra o colega, o psolista lamentou não poder fazê-lo. "O problema é que não existe no Brasil uma lei que nos fale que existe a homofobia. A PLC 122 está parada no Senado, então a gente não pode ter um crime de ódio igual ao racismo", finalizou.

Procurado pelo DIA, Otoni de Paula não foi encontrado para comentar o episódio. 

Últimas de Rio de Janeiro